Entenda o câncer de mama

Entenda o câncer de mama

O que é o câncer de mama?


O câncer de mama é a neoplasia maligna, isso é, um tumor de crescimento rápido, formado por células que se apresentam de forma diferente daqueles presentes do tecido normal, que se origina nas mamas.


As mamas são glândulas localizadas na parte anterior do tórax. São compostas por tecido adiposo e conjuntivo. Como homens e mulheres possuem mamas, o câncer de mama afeta ambos os sexos, felizmente menos de 1% dos casos de mama ocorrem em homens.


Assim como os outros tipos de cânceres, múltiplos fatores são responsáveis por seu aparecimento de tal forma, que uma célula normal da mama pode sofrer o processo de carcinogênese, se tornando maligna, e dar origem ao câncer de mama. Uma vez formado, o câncer de mama pode se espalhar para os gânglios linfáticos ou para outros órgãos distantes, processo que chamamos de metástases.



Quais são os fatores de risco para o câncer de mama?


O câncer de mama não possui uma causa única. Um fator de risco não determina o câncer isoladamente, mas aumenta as chances de uma pessoa ficar doente de câncer.


Fatores de risco que não podem ser alterados:




  • O risco para ter câncer de mama aumenta conforme a idade; a partir dos 50 anos, possuem um maior risco de desenvolver o câncer de mama, devido às próprias alterações biológicas;

  • Mutações genéticas. Mulheres que herdam certos genes, como BRCA1 e BRCA2 correm maior risco de câncer de mama e de ovário;

  • Histórico reprodutivo. Os primeiros ciclos menstruais e o início da menopausa expõem as mulheres aos hormônios por mais tempo, aumentando o risco de desenvolver câncer de mama;

  • Histórico pessoal de câncer de mama. Mulheres que já tiveram o câncer de mama têm maior probabilidade de tê-lo pela segunda vez;

  • Histórico familiar de câncer de mama ou ovário;

  • Tratamento com radioterapia. Mulheres que fizeram radioterapia nos seios ou tórax antes dos 30 anos têm um risco maior de desenvolver câncer de mama depois de mais velha.


Fatores de risco que podem ser alterados:




  • Não ser fisicamente ativa. Mulheres que não são fisicamente ativas, não praticam exercício físico, têm maior risco de desenvolver câncer de mama;

  • Estar acima do peso ou ser obeso após a menopausa. Mulheres mais velhas com sobrepeso ou obesas possuem maior risco de desenvolver câncer de mama;

  • Tomar hormônios. Algumas formas de terapia de reposição hormonal (aquelas que incluem estrogênio e progesterona) tomada durante a menopausa pode aumentar o risco de câncer de mama quando tomadas por mais de cinco anos. Determinados anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também aumentam o risco de câncer de mama;

  • História reprodutiva. Ter a primeira gravidez depois dos 30 anos, não amamentar e nunca ter uma gravidez pode aumentar o risco de câncer de mama;

  • Beber álcool. Estudos mostram que o risco de câncer de mama em uma mulher aumenta conforme a quantidade de álcool que ela bebe.


Quais são os sintomas do câncer de mama?


É preciso ficar atenta aos sinais e sintomas, porém, algumas pessoas não apresentam sintomas do câncer de mama, por isso é necessário sempre fazer os exames de rotina, além do exame de toque.



Alguns sinais/sintomas de alerta do câncer de mama são:




  • Caroço na mama ou axila.

  • Inchaço de parte da mama.

  • Irritação da pele da mama.

  • Vermelhidão ou pele escamosa na área do mamilo ou na mama.

  • Dor na área do mamilo.

  • Corrimento mamilar diferente do leite materno, incluindo sangue.

  • Qualquer alteração no tamanho ou formato da mama.

  • Dor em qualquer área da mama.


Esses sintomas podem ocorrer em outras doenças. Se você tiver quaisquer sinais ou sintomas que o preocupem, consulte o seu médico imediatamente.



Estadiamento do câncer de mama


O estadiamento é uma forma de descrever os aspectos do câncer de mama, incluindo o tamanho do tumor, a localização, se ele se espalhou para os linfonodos, se espalhou para partes distantes do corpo, e se está afetando as funções de outros órgãos do corpo.



Estágio Zero (0): o tumor não é invasivo e está restrito à mama;


Estágio I: o tumor da mama tem até 2 centímetros de diâmetro, não invade os linfonodos axilares, ou se o fizer, tem invasão máxima de 2 milímetros;


Estágio II: o tumor da mama possui até 5 centímetros de diâmetro e invasão de 0 a 3 linfonodos axilares ou tumor da mama acima de 5 centímetros de diâmetro que não invadem a parede muscular, a pele e os linfonodos;


Estádio III: qualquer tumor que acabar invadindo acima de 10 linfonodos axilares, tumor de até 5 centímetros de diâmetro que invada até 9 linfonodos axilares, ou tumor da mama que invada a parede torácica e/ou a pele, independente da invasão de linfonodos;


Estádio IV: o tumor da mama de qualquer tamanho, que invada órgãos a distância como ossos, pulmões, fígado e cérebro.




Como posso prevenir o câncer de mama?


Muitos fatores ao longo da vida podem influenciar o risco do câncer de mama.


Você não pode alterar alguns fatores, como envelhecimento ou histórico familiar, mas pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama cuidando de sua saúde da seguinte maneira:




  • Mantenha um peso saudável;

  • Exercite-se regularmente;

  • Não beba álcool;

  • Se você está tomando, ou foi instruído a tomar, terapia de reposição hormonal ou anticoncepcionais, pergunte ao seu médico sobre os riscos e descubra se é adequado para você.

  • Amamentação, se possível;

  • Se você tem um histórico familiar de câncer de mama ou alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, converse com seu médico sobre outras maneiras de diminuir o risco.


Se manter saudável ao longo da vida diminuirá o risco de desenvolver câncer e aumentará suas chances de sobreviver ao câncer, caso ele ocorra.



O que é o rastreamento do câncer de mama?


Rastreamento do câncer de mama significa verificar se há câncer nos seios de uma mulher antes que haja sinais ou sintomas da doença. Todas as mulheres precisam ser informadas por seu médico sobre as melhores opções de rastreamento para elas.




Como o câncer de mama é diagnosticado?


Os médicos costumam usar testes adicionais para encontrar ou diagnosticar o câncer de mama. Eles podem encaminhar as pacientes para um especialista em mama ou um cirurgião. Isso não significa que ela tenha câncer ou que precise de cirurgia. Esses médicos são especialistas em diagnosticar problemas mamários.




  • Ultrassom mamário: uma máquina que usa ondas sonoras para fazer imagens detalhadas, chamadas de ultrassons, de áreas dentro da mama;

  • Mamografia diagnóstica: se você tiver um problema no seio, como caroços, ou se uma área da mama parecer anormal em uma mamografia de rastreamento, os médicos podem solicitar que você faça uma mamografia diagnóstica. Este é um raio-X mais detalhado da mama;

  • Imagem por ressonância magnética: uma espécie de varredura corporal que usa um ímã conectado a um computador. A ressonância magnética fará imagens detalhadas de áreas dentro da mama;

  • Biópsia: este é um teste que remove tecido ou fluido da mama para ser examinado no microscópio. Existem diferentes tipos de biópsia (por exemplo, aspiração por agulha fina, biópsia central ou biópsia aberta).


Quais são os tratamentos para o câncer de mama?


O câncer de mama é tratado de várias maneiras, porém, depende do tipo de câncer de mama e do estágio que ele se encontra. Pessoas com câncer de mama geralmente recebem mais de um tipo de tratamento, são eles:




  • Cirurgia: uma operação em que os médicos cortam tecido canceroso.

  • Quimioterapia: usar medicamentos especiais para diminuir ou matar as células cancerosas.

  • Terapia hormonal: impede que as células cancerosas obtenham os hormônios de que precisam para crescer.

  • Terapia biológica: trabalha com o sistema imunológico do seu corpo para ajudá-lo a lutar contra as células cancerosas ou para controlar os efeitos colaterais de outros tratamentos contra o câncer.

  • Terapia de radiação: usando raios de alta energia (semelhantes aos raios-X) para matar as células cancerosas.


Médicos de diferentes especialidades costumam trabalhar juntos para tratar o câncer de mama. Os cirurgiões são médicos que realizam operações. Oncologistas médicos são médicos que tratam o câncer com medicamentos. Oncologistas de radiação são médicos que tratam o câncer com radiação.


Lembre-se de consultar sempre o seu médico para ter um diagnóstico completo.






Por Dra. Tânia de Fátima Moredo, oncologista do Hospital IGESP.
Atualizado em 10/08/2021.

Câncer de estômago: saiba mais sobre essa doença

O que é o câncer de estômago?


O câncer de estômago ou câncer gástrico é a neoplasia maligna que se origina no estômago.

Assim como os outros tipos de cânceres, múltiplos fatores são responsáveis pelo seu aparecimento no corpo de tal forma, que uma célula normal do nosso estômago pode sofrer o processo de carcinogênese (se tornar maligna) e dar origem ao câncer de estômago.

Ele pode se espalhar para outros órgãos próximos ao estômago ou até mesmo distantes, processo que chamamos de metástase.

Quais são os fatores de risco?


É importante saber que um fator de risco não determina o câncer isoladamente, mas aumenta as chances de uma pessoa ficar doente.

Existem fatores de risco que não podem ser alterados, como por exemplo, a idade (mais frequente acima de 60 anos), ser do sexo masculino e fatores genéticos. Felizmente apenas 3 a 5% dos cânceres de estômago são hereditários, ou seja, causados por genes herdados de nossos pais.

Também há outros fatores que desempenham um papel no aumento do risco para o câncer de estômago:

  • Fumar;

  • Estar acima do peso ou ser obeso;

  • Uma dieta rica em alimentos defumados, em conserva ou salgados;

  • Cirurgia anterior de estômago para úlcera gástrica;

  • Consumo de álcool;

  • Doenças pré-existentes, como anemia perniciosa, lesões pré-cancerosas (como gastrite atrófica e metaplasia intestinal) e infecções pela bactéria Helicobacter pylori (H. Pylori);

  • Gastrite crônica e úlceras de estômago mal curadas;

  • Trabalho nas indústrias de carvão, metal, madeira ou borracha;

  • Exposição ao amianto;

  • Exposição de trabalhadores rurais a uma série de compostos químicos, em especial, agrotóxicos.


Veja abaixo algumas estatísticas sobre o Câncer de Estômago: 

  • O câncer de estômago é mais comum no sexo masculino, seja no Brasil ou mundo a fora.

  • Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), no Brasil, estima-se para cada ano do triênio 2020-2022, 13.360 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.870 nas mulheres.

  • O câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente na Região Norte, nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, é o quarto câncer mais frequente.

  • Para as mulheres, é o quinto câncer mais frequente nas Regiões Norte e Sul, e ocupa a sexta posição no Centro-Oeste e Nordeste, seguido pela Região Sudeste ocupando a sétima posição.


Quais são os principais sintomas do Câncer de Estômago?


No início, o câncer de estômago pode causar:

  • Indigestão;

  • Sensação de inchaço após comer uma refeição;

  • Azia;

  • Ligeira náusea;

  • Perda de apetite.


Episódios eventuais de indigestão ou azia após uma refeição não significam que você tenha câncer, mas se sentir muito esses sintomas, converse com seu médico.

À medida que o câncer gástrico avança, pode haver sintomas mais sérios, como:

  • Dor de estômago;

  • Sangue nas fezes;

  • Vômito;

  • Perda de peso sem motivo;

  • Dificuldade em engolir;

  • Olhos ou pele amarelados;

  • Inchaço no abdômen;

  • Constipação ou diarreia;

  • Fraqueza ou sensação de cansaço;

  • Azia e náuseas.


Como prevenir o câncer de estômago?



  • Adote uma dieta saudável: coloque mais frutas e vegetais frescos em seu prato todos os dias. Eles são ricos em fibras e em algumas vitaminas que podem diminuir o risco de câncer. Evite alimentos muito salgados, em conserva, curados ou defumados, como cachorros-quentes, carnes processadas ou queijos defumados.

  • Mantenha seu peso em um nível saudável: estar acima do peso ou ser obeso também pode aumentar o risco da doença.

  • Não fume: o risco de câncer de estômago duplica se usar tabaco.

  • Faça atividade física regularmente, pois ajuda a diminuir o risco de câncer de estômago.


Como é feito o diagnóstico?


Os médicos normalmente não fazem exames de rotina para câncer de estômago, principalmente por não ser tão comum.

Para o diagnóstico deste tipo de câncer, é necessário passar em consulta médica para uma avaliação, onde será feita uma análise sobre os sintomas, seu histórico médico e se algum membro da família já o teve (histórico familiar). No consultório será realizado o exame clínico e alguns exames adicionais podem ser solicitados, como:

  • Exames de sangue;

  • Endoscopia alta - exame de imagem para examinar o estômago;

  • Tomografia computadorizada – exame de imagem do interior do seu corpo;

  • Biópsia - o médico retira um pequeno pedaço de tecido do estômago para examiná-lo ao microscópio em busca de sinais de células cancerosas. A biópsia pode ser feita durante uma endoscopia.


Todos esses exames podem ser feitos aqui no Hospital IGESP, em nosso Centro de Diagnóstico.

Qual é o tratamento para o câncer de estômago?


O tratamento do câncer de estômago envolve uma equipe multidisciplinar, composta por médico oncologista, cirurgiões, radioterapeuta e nutrólogo. Existem três modalidades de tratamento para esse tipo de câncer: cirurgia, terapia sistêmica (quimioterapia e outras drogas) e radioterapia.

Cirurgia


A cirurgia é um tratamento comum para o câncer de estômago, especialmente quando está nos estágios iniciais. Dependendo da sua situação, é possível incorporar técnicas cirúrgicas minimamente invasivas ao realizar a gastrectomia para ajudar a diminuir o risco de complicações, encurtar o tempo de recuperação e minimizar a dor. Os cânceres de estômago avançados ou agressivos podem exigir gastrectomia parcial ou total.

Terapia sistêmica


É o tratamento que o oncologista faz através da quimioterapia, terapia alvo ou imunoterapia. Cada caso é analisado individualmente e planejado de acordo com os princípios da literatura médica especializada no tratamento do câncer.

Quando o tumor é avançado, mas não existem metástases, o oncologista clínico, realizará quimioterapia pré-operatória para diminuir o câncer e poder posteriormente operá-lo. Se o número de linfonodos for insuficiente, o oncologista poderá encaminhar o paciente para realizar radioterapia e quimioterapia pós-operatório.

A quimioterapia é utilizada no pré e pós-operatório mesmo em tumores em estágios iniciais. Caso a doença seja metastática, o oncologista prescreverá a terapia sistêmica.

Radioterapia


A radioterapia é um dos tratamentos mais comuns para o câncer. A radiação pode ser usada sozinha ou com outros tratamentos, como cirurgia, quimioterapia, hormônios ou terapia direcionada.

A radioterapia usa partículas ou ondas de alta energia, como raios X, raios gama, feixes de elétrons ou prótons, para destruir ou danificar as células cancerosas.

Suas células normalmente crescem e se dividem para formar novas células, mas as células cancerosas crescem e se dividem mais rápido do que a maioria das células normais. A radiação funciona fazendo pequenas rupturas no DNA dentro das células. Essas quebras impedem que as células cancerosas cresçam e se dividam, fazendo com que morram. As células normais próximas também podem ser afetadas pela radiação, mas a maioria se recupera e volta a funcionar como deveria.

A escolha do tratamento para o câncer de estômago depende do estadiamento da doença, isso é, quão avançada a doença esteja, quanto ela se espalhou pelo corpo, sendo 5 estágios:



Estágio 0: é quando o revestimento interno do estômago contém um grupo de células tumorais, mas que ainda não são infiltrativas. Será necessário um procedimento cirúrgico para a cura. O seu médico pode remover parte ou todo o seu estômago, bem como os gânglios linfáticos próximos (pequenos órgãos que fazem parte do sistema de defesa). Em alguns casos, a cirurgia pode ser minimamente invasiva, por endoscopia alta.

Estágio I: neste ponto o paciente tem um tumor no revestimento do estômago, já infiltrativo e pode ter se espalhado para os nódulos linfáticos. Como no estágio 0, o paciente provavelmente fará uma cirurgia para remover parte ou todo o estômago e os gânglios linfáticos próximos. Também pode receber quimioterapia ou quimioterapia associada a radioterapia complementares a cirurgia. A quimioterapia pode ser usada ​antes da cirurgia para reduzir o tumor.

Estágio II: o câncer se espalhou para as camadas mais profundas do estômago e talvez para os nódulos linfáticos próximos. A cirurgia para remover parte ou todo o estômago, bem como os gânglios linfáticos próximos ainda é o tratamento principal. É muito provável que o paciente faça quimioterapia com ou sem radioterapia complementares.

Estágio III: o câncer agora pode estar em todas as camadas do estômago, bem como em outros órgãos próximos ou pode ser menor, mas atingir profundamente os nódulos linfáticos. A quimioterapia poderá ser realizada antes ou após a cirurgia.

Estágio IV: neste último estágio, o câncer se espalhou amplamente para órgãos como o fígado, pulmões ou cérebro. É muito mais difícil de controlá-lo. Poderão ser realizados quimioterapia, radioterapia e eventuais procedimentos cirúrgicos. 

 

Por Dra. Tânia de Fátima Moredo, oncologista do Hospital IGESP.
Atualizado em 02/08/2021.

Hipertensão Arterial, uma doença silenciosa

A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, afeta cerca de 31 milhões de brasileiros. É uma doença caracterizada pelos altos níveis da pressão sanguínea nas artérias, e pode afetar o coração, cérebro, olhos e rins.


Essa condição força o coração a exercer um esforço maior do que o habitual para que o sangue seja distribuído corretamente por todo o corpo, sendo um dos principais fatores de risco para doenças como acidente vascular cerebral (AVC), infarto, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca.


É uma doença de natureza hereditária, em que 90% dos casos a hipertensão arterial é herdada dos pais. Porém, há diversos outros fatores que influenciam diretamente nos níveis de pressão arterial, dentre eles:




  • Fumo;

  • Consumo de bebidas alcóolicas;

  • Obesidade;

  • Estresse;

  • Elevado consumo de sal;

  • Níveis altos de colesterol;

  • Falta de atividade física.


Em muitos casos, esse problema não demonstra sintomas, por isso, é considerado um inimigo invisível. Nos casos em que a pressão sobe muito, os sintomas costumam aparecer, podendo ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza corporal, visão embaçada e sangramento nasal.


Para diagnosticar a hipertensão, é necessário medir a pressão regulamente. A chamada pressão alta ocorre quando os valores das pressões máxima e mínima estão iguais ou ultrapassam os 140/90 (ou 14 por 9), medida em milímetros (mm) de mercúrio (Hg). Quando os valores se encontram abaixo de 90/60 mmHg, ela é considerada baixa. A forma mais assertiva de aferir a pressão é por meio de Holter e Mapa, assim, de acordo com o valor da medição, é possível saber qual tipo de pressão sanguínea o paciente apresenta.


Dentre os principais pontos que podem colaborar para prevenir essa doença, estão:

  • Manter um peso corporal adequado;

  • Não ingerir grandes quantidades de sal;

  • Praticar atividades físicas regularmente;

  • Não ter o fumo como hábito;

  • Moderar o consumo de álcool;

  • Evitar alimentos gordurosos;

  • Controlar o nível de açúcar no sangue.


A pressão alta não tem cura, mas possui tratamento e pode ser controlada com acompanhamento médico. Ter um estilo de vida saudável é um grande aliado no combate à essa doença.

Síndrome Vasovagal | Sintomas, Tratamentos e Prevenção

A Síndrome Vasovagal ou Síncope Vasovagal é a perda transitória da consciência, um desmaio provocado pela diminuição de pressão arterial e dos batimentos cardíacos, causado pela redução da chegada de sangue ao coração e cérebro por ação direta do nervo vago, que conecta o cérebro ao coração.


Essa síndrome não significa necessariamente uma doença orgânica, embora seja de extrema importância excluir condições como Epilepsia, neuropatias autonômicas, doença cerebrovascular e desordens cardíacas ou endócrinas. Ela é mais comum em mulheres e tem maior acometimento durante a juventude.


Apesar de ter maior incidência em jovens, a doença também acomete idosos. Independentemente de ser benigna, esse mal pode ser recorrente, gerando grande impacto na qualidade de vida do indivíduo e aumentando a morbidade desta condição.


Considerando jovens e idosos, aproximadamente 3% da população apresenta a síndrome, conforme o estudo de Framinghan, que acompanhou mais de 5 mil habitantes da cidade de Framinghan durante 26 anos. Trata-se de um problema comum em emergência, representado 3 a 5% dos atendimentos 1 a 6% das admissões hospitalares. Cerca de 1/3 dos pacientes têm recorrência da síncope em três anos.


Entendendo a síndrome


Como citado, é uma doença que pode resultar em intervenções hospitalares. Os primeiros sinais dessa síndrome são: fraqueza, transpiração excessiva, palidez, calor, náusea, tontura, borramento visual, dor de cabeça e palpitações. Sentir grandes emoções, sustos, ingerir bebidas alcoólicas, frequentar ambientes fechados, aglomerações, ficar em jejum, horas em pé ou com ansiedade são outros fatores que podem fazer as pessoas com essa síndrome desmaiarem.


É possível identificar esses portadores por meio de aplicações médicas, a principal é feita através da avaliação dos efeitos do estresse ortostático observados em um teste provocativo. O chamado teste de inclinação, analisa os efeitos sobre a pressão arterial durante um período ou fase não potencializada e durante a fase de estresse farmacológico, que é realizado com auxílio de medicamentos.


O teste consiste em uma mesa inclinável com plataforma para apoio dos pés, cintos de segurança e monitorização dos batimentos cardíacos. O paciente permanece deitado inicialmente por 10 a 20 minutos, na chama fase de repouso. Logo após, a cama é inclinada entre 60 e 70°. A fase inclinada dura de 20 a 45 minutos dependendo do protocolo utilizado. Durante a inclinação, o paciente recebe medicamentos que auxiliam no aumento da sensibilidade do teste.


Este exame possui um caráter educativo importante, pois o paciente aprende a reconhecer seus sintomas e visualizar as alterações envolvidas, aumentando assim seu entendimento e aderência ao tratamento.


Tratamento e prevenção


Com essas informações o tratamento pode ser iniciado, não existe um específico para a Síndrome Vasovagal. Caso o diagnóstico seja confirmado, o médico responsável irá avaliar o quadro do paciente, em alguns casos podendo prescrever medicamentos para evitar a queda da pressão arterial. Geralmente, os cuidados são comportamentais: os portadores dessa síndrome aprendem a evitar alguns ambientes e a controlar as situações que podem desencadeá-la.


Sobre estes cuidados comportamentais, são praticamente métodos preventivos. Entre os mais utilizados podemos citar:


• Não ficar em pé por longos períodos;
• Não consumir bebidas desidratantes, como álcool;
• Evitar ambientes quentes e fechados;
• Movimentar as pernas e as panturrilhas enquanto estiver de pé;
• Ao sentir qualquer sintoma, deitar com as pernas elevadas.


Em geral, pessoas com Síndrome Vasovagal vivem bem. Porém, se não forem tomadas as devidas medidas preventivas, aumentam-se os riscos de fraturas decorrentes das quedas por desmaio, levando a possível sensação de insegurança, podendo acarretar até mesmo em doenças emocionais, como depressão.







Dr. Muhieddine Omar Chokr
CRM: 127.450
Entenda o que é a Hemofilia

Entenda o que é a Hemofilia

Entenda o que é a Hemofilia, uma doença genética e hereditária, provocada por um defeito da coagulação do sangue, originando em sangramento.


No dia 17 de abril é comemorado o Dia Mundial da Hemofilia, a data promove a conscientização sobre distúrbios hemorrágicos hereditários, informar sobre a importância dos cuidados necessários, além de unir a comunidade relacionada às doenças hemorrágicas.


Depois de uma lesão, o organismo depende da coagulação do sangue para parar o sangramento. A coagulação normal evita equimoses (manchas roxas) e o sangramento dentro das articulações e músculos, que poderiam resultar em pequenas lesões. Isso depende dos elementos do sangue, chamados de fatores de coagulação. Quando não há quantidade suficiente de um desses fatores, pode ocorrer um sangramento excessivo. A pessoa que tem Hemofilia possui menor quantidade ou ausência de alguns fatores de coagulação.


A mutação que causa essa enfermidade acontece no cromossomo X e é transmitida por uma mulher portadora do gene ou por um homem hemofílico. Geralmente, o público feminino não desenvolve a doença, fazendo com que ela acometa quase eu exclusivamente os homens. Segundo o Ministério da Saúde, das doenças genéticas, a Hemofilia tem a maior taxa das mutações – são aproximadamente 1/3 de novos casos em famílias, sem registro anterior. Ocorre um caso a cada 10 mil habitantes.


Existem dois tipos mais comuns da doença: tipo A, conhecida como Clássica e ocorre por deficiência do Fator VII (FVII). A Hemofilia B, chamada de Fator Christmas, acontece em função de uma deficiência do Fator IX (FIX). A Hemofilia também é classificada de acordo com a quantidade de fator deficitário: grave (fator menor do que 1%), moderada (de 1% a 5%) e leve (acima de 5%).


A doença pode ser classificada, ainda, segundo a quantidade do fator deficitário, em três categorias: grave (fator menor que 1%), moderada (de 1% a 5%) e leve (acima de 5%). Neste caso, pode acontecer da enfermidade passar despercebida até a idade adulta.


Os primeiros sintomas podem aparecer logo no primeiro ano de vida do paciente, com o aparecimento de equimoses, que se tornam mais evidentes quando a criança está aprendendo a andar. Além das manchas roxas, outros sinais podem ser percebidos: hematomas, episódios hemorrágicos nos músculos e articulações, além de dor intensa causada por pequeno traumatismo.


Nos quadros leves, o sangramento ocorre em situações de traumas, extração de dentes e cirurgias. Nesses casos, a doença pode passar despercebida até a fase adulta.


Nos casos moderados e graves, os sangramentos acontecem com maior frequência e de forma espontânea. Os principais sintomas são aumento da temperatura, dores fortes e restrição de movimento. As lesões ósseas são consequências do desgaste das cartilagens, causadas por hemorragia intramusculares e intra-articulares. As articulações mais afetadas são cotovelo, joelho e tornozelo. O diagnóstico é feito por meio do exame de sangue que mede a dosagem do nível dos fatores VII e IX de coagulação sanguínea, além dos sinais clínicos. O tratamento da hemofilia evoluiu muito e atualmente, consiste na reposição do fator anti-hemofílico. Os pacientes com hemofilia A recebem a molécula do fator VIII, já os pacientes com hemofilia B, a molécula do fator IX.


O tratamento precoce é muito importante, porque as sequelas deixadas pelos sangramentos serão menores. O paciente hemofílico e seus familiares devem ser treinados para fazer a aplicação do fator em casa.


Algumas recomendações são válidas:

• Os pais devem prestar atenção se os bebês apresentam manchas roxas, pois pode ser um sinal de alerta para Hemofilia;

• Se a criança apresenta sangramentos frequentes e desproporcionais, os pais devem procurar um médico;

• É fundamental que os pacientes com Hemofilia tenham uma prática regular de exercícios físicos, com o objetivo de fortalecer a musculatura;

• Em casos de sangramento, os pacientes diagnosticados devem procurar um tratamento o mais depressa possível, para receber a terapia mais indicada, evitando sequelas nos músculos e articulações.




Dra. Youko Nukui.
Conheça as principais doenças do sangue

Conheça as principais doenças no sangue

O sangue é um tecido vivo, produzido na medula óssea dos ossos chatos, vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno. Ele circula pelo corpo levando oxigênio e nutrientes a todos os órgãos. O plasma, parte líquida do sangue, é composto por 90% água, proteína e sais, representa aproximadamente 55% do volume de sangue circulante no corpo. Por meio do sangue, são levadas para nosso organismo as substâncias necessárias à manutenção da vida nas células, como: proteínas, enzimas, hormônios, fatores de coagulação, imunoglobulina e albumina.


As hemácias, que também podem ser conhecidas como glóbulos vermelhos, receberam esse nome por conta do alto nível de hemoglobina, que por sua vez, é uma proteína que contém ferro e é predominantemente vermelha. A hemoglobina possibilita que as hemácias transportem oxigênio a todas as células do corpo e transportam o dióxido de carbono, que é produzido pelo organismo.


Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, ajudam na defesa do organismo e são acionados em casos de infecções. Elas atuam nos tecidos com objetivo de destruir os agressores, como vírus e bactérias.


Compondo o sangue, também temos as plaquetas, que são pequenas células que participam no processo de coagulação sanguínea, agindo diretamente nas hemorragias.


Por ser de extrema importância e possuir diversas funções no organismo, é comum que o sangue esteja sujeito a vários tipos de doenças, que na maioria dos casos, levam ao comprometimento da produção de seus componentes. Algumas podem ser tratadas com facilidade, porém, há doenças no sangue que podem ser fatais.


Os problemas relacionados ao sangue podem afetar qualquer uma das partes, como os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas e até o próprio plasma.


Existe diversos fatores causadores de doenças no sangue, sejam hereditários ou adquiridos. Conheça as principais doenças no sangue:


Tromboses venosas e arteriais:
A Trombose acontece quando há formação de um coágulo na circulação, resultando na obstrução do fluxo de sangue. As Tromboses podem ser venosas ou arteriais, de acordo com a parte da circulação que atingem. As arteriais representam a principal causa de morte no Brasil e no mundo.


Já as Tromboses Venosas, compreendem a Trombose Venosa Profunda (TVP) e o Tromboembolismo Pulmonar (TEP). Embora menos frequentes que as tromboses arteriais, estas duas condições também representam importantes causas de morbidade e mais raramente, mortalidade.


Leucemia:
A Leucemia é uma doença maligna que atinge os glóbulos brancos, na maioria dos casos, surge de origem desconhecida. Sua principal característica é o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais.


Nesta doença, uma célula sanguínea que não atingiu a maturidade sofre uma espécie de mutação genética, que a transforma em uma célula cancerosa. Com isso, essa célula anormal não trabalha de maneira correta, se multiplicando mais rapidamente e morrendo menos do que as células normais. Dessa forma, as células anormais cancerosas.


Existem mais de 12 tipos de Leucemia, sendo as quatro primários são Leucemia Mielóide Aguda (LMC), Leucemia Linfocítica Agua (LLA) e Leucemia Linfocítica Crônica (CLL).


Anemia:
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a Anemia como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal, como resultado da falta de um ou mais nutrientes essenciais. Porém, a Anemia causada por deficiência de ferro, denominada Anemia Ferropriva, é muito mais comum que as demais - estima-se que 90% das Anemias são causadas por carência de ferro.


Doenças Hemorrágicas:
Esse tipo de doença tem como característica o sangramento excessivo, que pode ser espontâneo ou associado a algum trauma ou cirurgia. Pode acontecer na pele (equimoses e hematomas) ou atingir órgãos internos (sangramento intestinal, urinário ou uterino).


O tratamento para doenças no sangue precisa ser prescrito por um médico especialista. Para cada quadro clínico, existe o seu tratamento adequado. É necessário avaliar, por exemplo, o tipo de doença e grau da evolução. Por exemplo, em casos de câncer, são utilizadas como tratamento a quimioterapia citotóxica, imunoterapia, radioterapia e, em casos específicos, a cirurgia.







Dra. Youko Nukui.

Dezembro Laranja: Sua pele merece atenção!

Dezembro Laranja é uma campanha desenvolvida para alertar a população sobre a necessidade de cuidar da pele. O câncer de pele não melanoma é o mais comum no Brasil, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 176.930 novos casos no Brasil em 2020.


O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele, essas células se dispõem em camadas e conforme são afetadas, desenvolvem diferentes tipos de câncer.


Carcinoma Basocelular (CBC): É o tipo mais comum de câncer de pele. A doença surge nas áreas do corpo mais expostas ao sol, nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme.


Carcinoma Espinocelular (CEC): Se desenvolve em todas as partes do corpo, mas é mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo, pescoço etc. A pele, nessas regiões, normalmente apresenta sinais de sano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. Além disso, a doença é mais comum em homens.


Melanoma: O melanoma tem a menor incidência na população. Contudo, seu desenvolvido é o mais grave. A doença pode surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, geralmente tem a aparência de uma pinta ou de um sinal de pele em tons acastanhados que podem sofrer alterações na cor, formato ou tamanho, além de causar sangramento. Apesar de ser o tipo mais grave, tem chance de até 90% de cura quando diagnosticado precocemente. A melanoma, no princípio, se desenvolve na camada mais superficial da pele, facilitando a remoção cirúrgica e a cura.


Os sintomas mais comuns do câncer de pele são o aparecimento de manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram com feridas que não cicatrizam em até quatro semanas. Controlar os fatores de risco é fundamental, por isso, evitar exposição prolongada ao sol, principalmente entre às 10h a 16h. Utilizar proteção adequada quando houver exposição rolar, como boné, roupas e protetor solar são as melhores formas de prevenção.


Cuide-se! Proteja sua pele!







Dra. Natália Zorzenon

Fazer exercícios físicos é um ato de amor próprio: Como começar a praticar?

A rotina estressante, sedentarismo e uma alimentação não equilibrada podem ser nocivas à saúde. Por isso, é importante cultivar hábitos de vida saudáveis por meio de uma alimentação balanceada, atividades de lazer e relaxantes, como hobbies e meditação, além de uma rotina de exercícios físicos.

Hábitos de vida saudáveis são aliados importantes para promoção da saúde e para prevenção de doenças, podendo, por exemplo, contribuir em diminuir o risco de desenvolvimento de algumas doenças como, obesidade e doenças cardiovasculares.

Fisicamente, manter uma rotina regular de exercícios físicos pode melhorar a circulação sanguínea, ajudar a controlar a pressão arterial e o peso, mantendo o organismo saudável e capaz de tolerar, sem fadiga, as demandas físicas que fazem parte do cotidiano. Exercitar-se possui outros importantes benefícios como, por exemplo, melhorar bem-estar e autoestima, diminuir estresse e aumentar desempenho, produtividade e concentração para realizar diferentes atividades.

Como começar?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para indivíduos saudáveis a recomendação é de, no mínimo, 150 minutos de atividade física por semana para adultos e 300 minutos para crianças e adolescentes. Recomenda-se uma rotina de exercícios aeróbicos, de três a cinco vezes na semana, com duração de 30 a 60 minutos. Exercícios como caminhada, corrida, natação, ciclismo, patinação e dança são ótimas opções para diferentes idades.

Mas lembre-se é importante o acompanhamento e orientações de profissionais, como o médico e educador físico.
A verdadeira beleza está em um corpo e mente saudáveis!

Por Dr. Andrea Bottoni é médico nutrólogo, coordenador da equipe de nutrologia do Hospital IGESP e supervisor do programa de residência médica em nutrologia do Hospital. 

Menopausa e sexualidade na terceira idade

A menopausa é uma fase vivenciada por grande parte das mulheres a partir dos 45 anos de idade, em média, e, mesmo com todos os avanços da medicina voltados para amenizar tanto seus sintomas típicos, quanto o aumento da expectativa de vida de maneira geral, muitas mulheres ainda temem sua chegada, seja pelo desconforto causado pela queda hormonal, ou pelo tabu que ainda envolve o sexo na terceira idade. Mas para que todos esses pontos sejam superados e a sexualidade seja vista como deve ser, principalmente sob o olhar da saúde e qualidade de vida, é preciso entender os fatores envolvidos e os pontos que merecem atenção. 

Ao entrar na menopausa, os principais sintomas observados nas mulheres são a cessação total da menstruação e da função ovariana, perda da libido, sudorese noturna e presença dos “fogachos” – palpitações, sensação de mal-estar, sensação de onda de calor e ardência na face. Isso acontece em função da diminuição da produção de hormônios femininos, que podem ocasionar mudanças no desejo sexual e na maneira de enxergar a própria sexualidade. A menopausa é o período de mais de um ano sem menstruar, mas os sintomas incômodos podem surgir mesmo antes, período chamado de climatério, quando já há diminuição hormonal, mas a menstruação ainda ocorre de forma mais escassa e irregular. 

A falta de lubrificação é um dos fatores mais relevantes, mas que pode ser resolvida a partir de uma abordagem e estimulação diferente do parceiro, o uso de estrógenos tópicos vaginais, ou ainda, muito comum na maioria dos casos, a partir da reposição hormonal. Embora algumas mulheres não se sintam bem com a reposição, hoje ela pode ser feita de diversas formas. O ideal é chegar, com a ajuda de seu ginecologista, à alternativa ideal, de forma personalizada. 

O fato é que a sexualidade deve ser trabalhada em todas as fases da vida e, com a maturidade, a qualidade tende a melhorar, dependendo, é claro, de como o tema foi tratado ao longo de sua vida. Conhecer o próprio corpo traz autoconfiança e uma vida sexual ativa interfere diretamente na saúde emocional, além de ativar a imunidade e trazer benefícios para a saúde física e o bem-estar. 

Para tanto, outras questões não podem ser negligenciadas. Além dos cuidados básicos com a saúde em geral, como alimentação saudável, uma rotina de exercícios e o controle de doenças crônicas, o sexo na terceira idade envolve as mesmas questões da juventude quando falamos de doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com os dados do Boletim Epidemológico HIV/Aids de 2018, do Ministério da Saúde, o número de casos de HIV entre pessoas acima dos 60 anos aumentou 81% entre 2006 e 2017, sendo que as taxas aumentaram tanto para homens quanto para mulheres. Portanto, para desfrutar dos benefícios que o período pode trazer, a prevenção é ainda o melhor caminho.  

*Por Dra. Karine Armond Bittencourt de Castro é médica geriatra do Trasmontano Saúde.

Febre do Mayaro: Novo vírus transmitido pelo Aedes Aegypti

A Febre do Mayaro é uma doença infecciosa causada pelo vírus MAYV, transmitido inicialmente pelo mosquito silvestre Haemagogus. O primeiro caso foi identificado nos anos 50, em Trinidad, no Caribe, e pouco tempo depois já acometia algumas pessoas na região norte do Brasil. Porém, recentemente, com o aparecimento de diversos casos em outras regiões e estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, levantou-se um alerta sobre o risco de epidemia, principalmente por haver indícios de que ele possa ser transmitido pelo Aedes Aegypti também, uma vez que o mosquito já é o vetor urbano de outras arboviroses – vírus transmitidos por artrópodes, ou seja, insetos e aracnídeos - como a Dengue, o Zika Vírus e a Febre Chikungunya.

De acordo com relatos médicos, após a observação de alguns pacientes, é possível que o Mayaro esteja há mais tempo em circulação, sendo seu quadro clínico muito semelhante ao da Chikungunya e ambos os vírus pertencem à família Togavirus e ao gênero Alfavirus, diferenciando-se apenas pela espécie. O vírus Mayaro apresenta ainda duas variações: subtipo D, presente no Brasil, Trinidad, Guiana Francesa, Suriname e Peru; e subtipo L, presente no norte do Brasil.

Devido à similaridade de sintomas com as outras doenças, como Dengue, Febre Amarela e, principalmente, Chikungunya, a única forma de diagnosticar a Febre do Mayaro é por meio de exames laboratoriais. Os principais sintomas apresentados são: febre alta de início imediato e inespecífica, dores intensas e nas articulações, que podem persistir por meses, dores musculares, manchas vermelhas pelo corpo, intolerância à luz e náuseas.

Quanto ao ciclo de transmissão, a Febre do Mayaro apresenta uma evolução muito parecida com a Febre Amarela. Um mosquito com o vírus infecta um macaco ou humano, que uma vez infectado torna-se hospedeiro e pode contribuir para a disseminação da doença, caso outro mosquito o pique. Vale lembrar que somente a fêmea do mosquito faz parte desse processo, pois o macho alimenta-se de néctar e seiva de plantas.

Assim como as outras viroses transmitidas pelo Aedes Aegypti, até o momento não há tratamento, então recomenda-se apenas repouso, hidratação e ingestão de alimentos saudáveis. Qualquer medicamento para alívio dos sintomas deve ser indicado pelo médico que diagnosticar a doença, mas em todos os casos as aspirinas são drogas contraindicadas. A prevenção da picada de mosquitos infectados continua sendo o melhor remédio. Ao transitar por áreas silvestres, proteja-se. O uso constante de repelentes – Icaridina, DEET e IR 3535, recomendados pela Organização Mundial da Saúde - e roupas compridas são também fatores de proteção, pois o ideal é reduzir ao máximo a exposição do corpo.

A grande pergunta que fica é: Como um mosquito pode transmitir tantas doenças? O Aedes Aegypti é um inseto adaptável e muito próximo do ser humano. Para se ter uma ideia, ele surgiu na África e chegou aqui na época da colonização. Com o passar do tempo adaptou-se ao ambiente urbano, pois há muitos locais para se proliferar. Além disso, é um mosquito flexível em termos de nutrição, visto que se alimenta a qualquer hora e não apenas no período noturno como outras espécies. Ele é resistente e oportunista, portanto, é muito difícil erradicá-lo. Com isso, os vírus sofrem mutações e adaptam-se ao Aedes também.

É importante lembrar que embora seja praticamente impossível acabar com o mosquito, a consciência de cada um pode ajudar a aumentar o controle sobre os focos de disseminação da espécie, com medidas simples como não deixar vasos ou outros recipientes com água acumulada, fazer a limpeza constante de terrenos e caixas d’água, armazenar pneus e garrafas em locais protegidos da chuva, entre outros.

*Por Dr. Marcos Antônio Cyrillo, é diretor clínico e infectologista do Hospital IGESP