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Câncer de estômago: saiba mais sobre essa doença

O que é o câncer de estômago?

O câncer de estômago ou câncer gástrico é a neoplasia maligna que se origina no estômago.

Assim como os outros tipos de cânceres, múltiplos fatores são responsáveis pelo seu aparecimento no corpo de tal forma, que uma célula normal do nosso estômago pode sofrer o processo de carcinogênese (se tornar maligna) e dar origem ao câncer de estômago.

Ele pode se espalhar para outros órgãos próximos ao estômago ou até mesmo distantes, processo que chamamos de metástase.

Quais são os fatores de risco?

É importante saber que um fator de risco não determina o câncer isoladamente, mas aumenta as chances de uma pessoa ficar doente.

Existem fatores de risco que não podem ser alterados, como por exemplo, a idade (mais frequente acima de 60 anos), ser do sexo masculino e fatores genéticos. Felizmente apenas 3 a 5% dos cânceres de estômago são hereditários, ou seja, causados por genes herdados de nossos pais.

Também há outros fatores que desempenham um papel no aumento do risco para o câncer de estômago:

  • Fumar;
  • Estar acima do peso ou ser obeso;
  • Uma dieta rica em alimentos defumados, em conserva ou salgados;
  • Cirurgia anterior de estômago para úlcera gástrica;
  • Consumo de álcool;
  • Doenças pré-existentes, como anemia perniciosa, lesões pré-cancerosas (como gastrite atrófica e metaplasia intestinal) e infecções pela bactéria Helicobacter pylori (H. Pylori);
  • Gastrite crônica e úlceras de estômago mal curadas;
  • Trabalho nas indústrias de carvão, metal, madeira ou borracha;
  • Exposição ao amianto;
  • Exposição de trabalhadores rurais a uma série de compostos químicos, em especial, agrotóxicos.

Veja abaixo algumas estatísticas sobre o Câncer de Estômago: 

  • O câncer de estômago é mais comum no sexo masculino, seja no Brasil ou mundo a fora.
  • Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), no Brasil, estima-se para cada ano do triênio 2020-2022, 13.360 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.870 nas mulheres.
  • O câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente na Região Norte, nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, é o quarto câncer mais frequente.
  • Para as mulheres, é o quinto câncer mais frequente nas Regiões Norte e Sul, e ocupa a sexta posição no Centro-Oeste e Nordeste, seguido pela Região Sudeste ocupando a sétima posição.

Quais são os principais sintomas do Câncer de Estômago?

No início, o câncer de estômago pode causar:

  • Indigestão;
  • Sensação de inchaço após comer uma refeição;
  • Azia;
  • Ligeira náusea;
  • Perda de apetite.

Episódios eventuais de indigestão ou azia após uma refeição não significam que você tenha câncer, mas se sentir muito esses sintomas, converse com seu médico.

À medida que o câncer gástrico avança, pode haver sintomas mais sérios, como:

  • Dor de estômago;
  • Sangue nas fezes;
  • Vômito;
  • Perda de peso sem motivo;
  • Dificuldade em engolir;
  • Olhos ou pele amarelados;
  • Inchaço no abdômen;
  • Constipação ou diarreia;
  • Fraqueza ou sensação de cansaço;
  • Azia e náuseas.

Como prevenir o câncer de estômago?

  • Adote uma dieta saudável: coloque mais frutas e vegetais frescos em seu prato todos os dias. Eles são ricos em fibras e em algumas vitaminas que podem diminuir o risco de câncer. Evite alimentos muito salgados, em conserva, curados ou defumados, como cachorros-quentes, carnes processadas ou queijos defumados.
  • Mantenha seu peso em um nível saudável: estar acima do peso ou ser obeso também pode aumentar o risco da doença.
  • Não fume: o risco de câncer de estômago duplica se usar tabaco.
  • Faça atividade física regularmente, pois ajuda a diminuir o risco de câncer de estômago.

Como é feito o diagnóstico?

Os médicos normalmente não fazem exames de rotina para câncer de estômago, principalmente por não ser tão comum.

Para o diagnóstico deste tipo de câncer, é necessário passar em consulta médica para uma avaliação, onde será feita uma análise sobre os sintomas, seu histórico médico e se algum membro da família já o teve (histórico familiar). No consultório será realizado o exame clínico e alguns exames adicionais podem ser solicitados, como:

  • Exames de sangue;
  • Endoscopia alta – exame de imagem para examinar o estômago;
  • Tomografia computadorizada – exame de imagem do interior do seu corpo;
  • Biópsia – o médico retira um pequeno pedaço de tecido do estômago para examiná-lo ao microscópio em busca de sinais de células cancerosas. A biópsia pode ser feita durante uma endoscopia.

Todos esses exames podem ser feitos aqui no Hospital IGESP, em nosso Centro de Diagnóstico.

Qual é o tratamento para o câncer de estômago?

O tratamento do câncer de estômago envolve uma equipe multidisciplinar, composta por médico oncologista, cirurgiões, radioterapeuta e nutrólogo. Existem três modalidades de tratamento para esse tipo de câncer: cirurgia, terapia sistêmica (quimioterapia e outras drogas) e radioterapia.

Cirurgia

A cirurgia é um tratamento comum para o câncer de estômago, especialmente quando está nos estágios iniciais. Dependendo da sua situação, é possível incorporar técnicas cirúrgicas minimamente invasivas ao realizar a gastrectomia para ajudar a diminuir o risco de complicações, encurtar o tempo de recuperação e minimizar a dor. Os cânceres de estômago avançados ou agressivos podem exigir gastrectomia parcial ou total.

Terapia sistêmica

É o tratamento que o oncologista faz através da quimioterapia, terapia alvo ou imunoterapia. Cada caso é analisado individualmente e planejado de acordo com os princípios da literatura médica especializada no tratamento do câncer.

Quando o tumor é avançado, mas não existem metástases, o oncologista clínico, realizará quimioterapia pré-operatória para diminuir o câncer e poder posteriormente operá-lo. Se o número de linfonodos for insuficiente, o oncologista poderá encaminhar o paciente para realizar radioterapia e quimioterapia pós-operatório.

A quimioterapia é utilizada no pré e pós-operatório mesmo em tumores em estágios iniciais. Caso a doença seja metastática, o oncologista prescreverá a terapia sistêmica.

Radioterapia

A radioterapia é um dos tratamentos mais comuns para o câncer. A radiação pode ser usada sozinha ou com outros tratamentos, como cirurgia, quimioterapia, hormônios ou terapia direcionada.

A radioterapia usa partículas ou ondas de alta energia, como raios X, raios gama, feixes de elétrons ou prótons, para destruir ou danificar as células cancerosas.

Suas células normalmente crescem e se dividem para formar novas células, mas as células cancerosas crescem e se dividem mais rápido do que a maioria das células normais. A radiação funciona fazendo pequenas rupturas no DNA dentro das células. Essas quebras impedem que as células cancerosas cresçam e se dividam, fazendo com que morram. As células normais próximas também podem ser afetadas pela radiação, mas a maioria se recupera e volta a funcionar como deveria.

A escolha do tratamento para o câncer de estômago depende do estadiamento da doença, isso é, quão avançada a doença esteja, quanto ela se espalhou pelo corpo, sendo 5 estágios:

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Estágio 0: é quando o revestimento interno do estômago contém um grupo de células tumorais, mas que ainda não são infiltrativas. Será necessário um procedimento cirúrgico para a cura. O seu médico pode remover parte ou todo o seu estômago, bem como os gânglios linfáticos próximos (pequenos órgãos que fazem parte do sistema de defesa). Em alguns casos, a cirurgia pode ser minimamente invasiva, por endoscopia alta.

Estágio I: neste ponto o paciente tem um tumor no revestimento do estômago, já infiltrativo e pode ter se espalhado para os nódulos linfáticos. Como no estágio 0, o paciente provavelmente fará uma cirurgia para remover parte ou todo o estômago e os gânglios linfáticos próximos. Também pode receber quimioterapia ou quimioterapia associada a radioterapia complementares a cirurgia. A quimioterapia pode ser usada ​antes da cirurgia para reduzir o tumor.

Estágio II: o câncer se espalhou para as camadas mais profundas do estômago e talvez para os nódulos linfáticos próximos. A cirurgia para remover parte ou todo o estômago, bem como os gânglios linfáticos próximos ainda é o tratamento principal. É muito provável que o paciente faça quimioterapia com ou sem radioterapia complementares.

Estágio III: o câncer agora pode estar em todas as camadas do estômago, bem como em outros órgãos próximos ou pode ser menor, mas atingir profundamente os nódulos linfáticos. A quimioterapia poderá ser realizada antes ou após a cirurgia.

Estágio IV: neste último estágio, o câncer se espalhou amplamente para órgãos como o fígado, pulmões ou cérebro. É muito mais difícil de controlá-lo. Poderão ser realizados quimioterapia, radioterapia e eventuais procedimentos cirúrgicos. 

 

Por Dra. Tânia de Fátima Moredo, oncologista do Hospital IGESP.
Atualizado em 02/08/2021.

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