Bye, bye, energético. A vez e o poder dos power juices

Por muito tempo associados ao combo festa, álcool e gelo, os energéticos passaram por um rebrand para encantar a geração Z, que bebe e encara bem menos a balada, se comparados com millennials. “Antes, cerca de 80% do energético no Brasil era consumido à noite e 20% de dia. Agora, mais de 60% é tomado com o sol lá fora,” diz o fundador da PAZ, marca de power juices, Marcos Leta. “Essa migração evidencia uma alteração comportamental de gerações que bebem menos na noitada e focam mais em saúde.”

Com o nome de “power juices”, o “finado” energético dita um novo ritmo de bem-estar e disposição física. A demanda por essa seara cresce pela promessa de gerar energia e aguçar o estado mental sem descuidar da saúde. Várias opções no mercado contam, inclusive, com fórmulas naturais. Sejam os ingredientes da terra ou do laboratório, os energéticos em geral estiveram em 22 milhões de lares no Brasil em 2024, o que representa 38% de todas as casas, segundo a consultoria Kantar. No ano passado, foram produzidos 557 milhões de litros por aqui (Nielsen).

A categoria atraiu cerca de 9 milhões de novos compradores de “consumo instantâneo” em 2025 (Kantar). Pessoas que, em grande parte, estão na correria do dia a dia em centros urbanos. Destacam-se indivíduos de até 29 anos das classes C, D, E – 40% dos clientes que consomem um energético de forma “rápida” no mercado, na padaria ou no bar. Os principais pontos de venda estão em São Paulo, no Rio de Janeiro e nas regiões metropolitanas do Sul.

Fatores como a gradativa urbanização global, o aumento da carga de trabalho e o interesse crescente por esporte e atividades físicas são creditados, por diferentes análises de mercado, à expansão. O desejo por energia e cognição ganha propulsão especialmente entre as gerações Z. Há décadas, o marketing das companhias era focado em cativar o público masculino por ideais de virilidade associados a desempenho. Segundo pesquisadores da Universidade de Akron, os jovens brancos, há mais de dez anos, tinham uma tendência mais notável a beber energéticos nos Estados Unidos.

Hoje, em marcas daqui e de fora, o público feminino é pulsante, quando não majoritário. Isso ocorre graças ao alargamento dos significados conectados aos energéticos, como o da saúde. Intrinsecamente, o aumento das vendas globais estimula um ambiente de inovação contínua das fórmulas, com refinamento na redução de açúcares, diversificação de sabores e viabilização da sustentabilidade das embalagens.

O Brasil, ao lado da Argentina e do Chile, é o maior consumidor da bebida na América do Sul, região que vendeu cerca de R$ 26,58 bilhões em 2025 (Fortune

Business Insights). O mercado mundial foi avaliado em torno de R$ 409,43 bi. Já a América do Norte, líder do setor, movimentou ao redor de R$ 145,27 bi. A projeção, feita também pela Fortune Business Insights, é de que os power drinks gerem cerca de R$ 834,20 bilhões por ano em 2034. Ou seja, um crescimento de mais de 100% para o período de oito anos.

Das cinzas ao brilho


“Eu sinto que é uma tendência do mercado transformar vícios em virtudes”, opina o fundador da BrainJuice, Moritz Neto. “É o exemplo das gummies (como as gomas com proteína), que transformaram o consumo de açúcar em case de wellness. Já com o power juice, nós pegamos um suco, ou até nos aproximamos da lógica do drinque, e inserimos ingredientes como beterraba e cafeína que trazem uma série de benefícios”, complementa.

Moritz Neto explica que a sua clientela é composta 60% por homens e 40% por mulheres que trabalham e desejam melhorar a cognição. “Aos poucos, entramos na cultura fitness, mas associada ao wellness. Nós não queremos ser a Growth, o foco não é performance em academia. Damos uma alternativa natural a quem não quer consumir químicos, a quem não vai ingerir uma substância apenas pela premissa de otimização”, diz o porta-voz da BrainJuice. Um dos power juices da marca, o All In Greens vem em pó, dispensa o uso de conservantes e corantes, e a sua composição inclui vegetais verdes, frutas, raízes e ervas.

“Ao dissolver o pó na água, é possível ver as partículas de ingredientes como beterraba e pimenta. Isso é muito legal, o cliente sabe o que está ali,” ilustra Moritz. A formulação do produto foi inicialmente concebida para sanar duas dores dos clientes: problemas de digestão e falta de energia. “Você ganha um incremento gradativo de vitalidade, e a regulação do intestino é facilitada pelas fibras prebióticas.” O Natural Fire, outro energético da BrainJuice, foca em energia e “substitui a experiência do pré-treino, sem queda de vitalidade e humor depois.” A marca se prepara para lançar, até o final do ano, um produto para aguçar a cognição.

“A cafeína é capaz de melhorar a atenção. Além disso, os antioxidantes das fórmulas desses sucos fazem bem para as sinapses dos neurônios e são passíveis de reduzir a inflamação do organismo. Porém, claro, o que melhor faz isso, ao longo do tempo, é uma alimentação geral equilibrada”, diz o nutrólogo Andrea Bottoni.

Por seu lado, os energéticos da PAZ contam com as cafeínas do guaraná, do chá verde e a isolada. A empresa utiliza conservantes e corantes que representam de 0,4% a 0,5% da microbiologia do produto, segundo o fundador Marcos Leta. “São importantes para garantir a qualidade. Afinal, é uma bebida em lata que precisa

ser conservada em diferentes temperaturas,” afirma. “Todo energético passa por processos, então, não existe uma opção totalmente saudável – e nem é para ser, até porque é um produto enlatado; e por ‘saudável’, eu digo no sentido de alcançar uma fórmula 100% ‘limpa’.”

A proposta da marca é trabalhar com ingredientes melhores e mais potentes para entregar energia. “Não tenho a pretensão do discurso de ‘100% saudável’,” explica o fundador da PAZ. “Nem acho honesto.” Além disso, os produtos da marca não têm açúcar e todos os seis sabores, como mate, manga e melancia, podem ser adquiridos em lojas de conveniência e na rede de mercados Zona Sul, no Rio de Janeiro, e no St. Marche e Santa Luzia, em São Paulo. “Fechamos um contrato com o Carrefour e com alguns supermercados do interior de São Paulo. Em meados de junho, devemos bater cerca de 5.000 pontos de venda no Brasil”, conta Marcos Leta.

Ao abrir a marca de energy drinks Sede, em maio de 2025, o empresário Alex Rosário desejava reconfigurar o entendimento frequente do consumidor sobre este item. “Dentro da categoria de bebidas funcionais, existe a subcategoria de energético, muito conhecida pelos líderes do mercado como Red Bull e Monster. Porém, ela não traduz mais o que existe hoje de tecnologia de produto, o que as pessoas querem do ponto de vista de saúde,” diz o fundador.

“O nosso desafio foi lançar um energético que desconstrói estereótipos. A longo prazo, não queremos ser só uma marca de energy drink, mas uma plataforma de saúde mental,” explica Alex Rosário. Atualmente, a marca está focada nos mercados de São Paulo e Salvador, em mais de mil pontos de venda físicos como St. Marche e Mango. Os produtos também podem ser encontrados na Amazon, e o site da empresa entrega para todo o Brasil.

“A nossa meta para este ano era crescer 15 vezes mais do que no ano passado. Essa marca já foi batida nos primeiros meses de 2026,” comemora o empresário. A fórmula da Sede, explica Alex, é 99,72% natural. “Aos olhos da Anvisa, o que garante essa característica é o ingrediente não ter sido submetido a nenhum processo laboratorial. Então, a nossa cafeína microencapsulada, a taurina e o complexo de vitamina passam por esses trâmites, compondo assim 0,28% da fórmula”, detalha. Os corantes não são utilizados pela Sede. “E de ativos naturais temos o gengibre e a erva-mate orgânica.”

A maior parte do público da Sede é composta por mulheres, de 25 a 40 anos. “Hoje vivemos diferentes epidemias: do cansaço, da saúde mental, do sono e da socialização. Percebi que havia uma oportunidade de mercado para auxiliar as pessoas em seus processos no meio da agitação e isolamento do dia a dia. Prova disso é a transformação do varejo,” aponta o porta-voz da marca. “Fora do País, especialmente nos Estados Unidos, você encontra em uma gôndola de mercado

uma divisão por funcionalidades: isotônico, isotrópico, eletrólito, foco no sono e por aí vai,” exemplifica.

Mas faz bem?


“Falar mal dos power juices é de um reducionismo disfuncional,” diz o nutrólogo do Hospital IGESP Andrea Bottoni. “Entretanto, é evidente que há muita estratégia de marketing. Fala-se muito do consumo dessas bebidas nos Estados Unidos. Apesar de ser um país com tecnologia de ponta, onde há uma grande concentração de laureados do Nobel da medicina e com importantes centros de pesquisa, tem-se, por outro lado, um estilo de vida que não pode ser utilizado como exemplo, com altos índices de sedentarismo e alimentação com ultraprocessados,” afirma o médico.

Um ponto comum de esbarramento dos energéticos é o da saudabilidade. É corriqueiro o entendimento de que a bebida faz mal em qualquer cenário, principalmente se combinada ao álcool. Assim, o desafio das novas marcas é o de redirecionar essa percepção por meio da formulação natural dos produtos e de campanhas informativas. A comunicação age na explicação da diferença entre o clássico energético da festa - muitos conservam a receita de 20, 30 anos atrás - e o power juice. Essencialmente, todo processo marcado por novidade precisa de tempo e, também, de informação bem apurada.

“O power juice em si não tem nada de errado. Contudo, sem querer me estender na filosofia, é preciso cuidado ao empregar os termos ‘certo’ e ‘errado’ ao falar de saúde”, diz Bottoni. “Dificilmente, o erro está só de um lado, o que conta é o estilo de vida. É claro que se você não se alimenta bem, é sedentário, toma litros de café por dia, fuma, descansa pouco e vira noite, o power juice não fará milagre. Ele não transforma ninguém em Super-Homem com imunidade imbatível,” diz o nutrólogo.

Segundo o médico, essas bebidas possuem componentes que incrementam a energia sem grandes picos - e as temidas quedas -, além de serem capazes de melhorar a atenção. “Quase todo mundo sabe que precisa comer frutas e fazer exercícios, mas não é só dizer isso que a premissa será aplicada. É preciso analisar como as ações podem ser encaixadas em cada realidade individual. Por isso que, às vezes, colocamos um produto aqui, acionamos outra ferramenta ali, mas com o entendimento de que é um conjunto de hábitos que constrói o que chamamos de saúde,” diz o nutrólogo, que enfatiza a impossibilidade, para grande parte da população, por falta de tempo e/ou acesso.

“Qualquer substância com alteração em seu estado natural toca o organismo humano de alguma forma ao ser introduzida nele. O café, desde a plantação até a xícara, é um exemplo,” afirma Marcos Leta. No caso dessa substância, comum a

muitos energéticos, a Organização Mundial da Saúde estabelece que o consumo não deve passar de 400 mg por dia (até 4 xícaras pequenas). “Segundo a OMS e a Anvisa, o limite em uma lata de energético é de cerca 35 mg por 100 ml. Claro, assim como qualquer coisa, não vai fazer bem se tomado sem moderação,” continua.

“A nossa recomendação de uso é que, caso haja dúvidas, procure-se um profissional da saúde para orientações. A ação da cafeína, por exemplo, não é recomendada para algumas pessoas,” destaca o fundador da Sede. Quem são elas? “Para crianças, é contraindicado, e não é recomendado para gestantes. Já para idosos e para quem possui questões cardiovasculares e problemas hepáticos, há um ponto de alerta. É importante, nesses casos, consultar um médico ou nutricionista,” finaliza o nutrólogo do IGESP.

Jejum intermitente: especialista explica como funciona prática





Estratégia alterna períodos sem comer com janelas de alimentação e exige atenção para evitar efeitos indesejados.

O jejum intermitente ganhou espaço nas redes sociais e passou a integrar a rotina de quem busca reorganizar os horários das refeições, controlar o peso ou reduzir a ingestão calórica. Diferentemente das dietas que restringem grupos alimentares, essa estratégia se concentra no tempo em que se come, e não necessariamente no que vai ao prato. Entre os modelos mais conhecidos está o 16:8, em que a pessoa passa 16 horas em jejum e concentra as refeições em uma janela de oito horas. Outro formato popular é o 5:2, que propõe redução significativa das calorias em dois dias da semana, mantendo a alimentação habitual nos demais. Segundo Andrea Bottoni, Nutrólogo do Hospital IGESP, durante o jejum o organismo primeiro utiliza as reservas de glicose para manter as funções básicas, para depois recorrer aos estoques de gordura como fonte de energia. “Essa resposta, porém, varia de acordo com idade, nível de atividade física, condições de saúde e qualidade da alimentação nos períodos em que a ingestão é permitida”, explica. “A forma como o jejum é conduzido, e especialmente como é encerrado, interfere diretamente nos resultados e na sensação de bem-estar”, acrescenta o especialista.

Quais os principais efeitos colaterais?


Embora adotado por parte da população, o jejum intermitente pode provocar desconfortos, sobretudo nas primeiras semanas ou quando praticado por longos períodos sem orientação. Dor de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga e tontura estão entre os sintomas mais relatados, geralmente associados à queda dos níveis de glicose. Em jejuns mais prolongados, também podem surgir fraqueza e sudorese. “Há ainda o risco de compulsão alimentar ao fim do período sem comer. Exageros na primeira refeição podem levar a inchaço, náusea e refluxo. Alterações no humor e no sono também são descritas, assim como possíveis carências nutricionais quando a alimentação nas janelas permitidas não é equilibrada. Por isso, planejamento é fundamental para reduzir riscos e preservar a saúde’, afirma no Nutrólogo do Hospital IGESP.

Alimentos indicados para a quebra do jejum


A forma de quebrar o jejum é considerada um dos pontos mais importantes da prática, uma vez que após horas sem ingestão alimentar, o organismo tende a responder de maneira mais sensível a grandes volumes de comida ou a alimentos ricos em açúcar e gordura saturada. Por isso, a recomendação geral é iniciar com uma refeição equilibrada, composta por proteínas, fibras, carboidratos complexos e gorduras de boa qualidade. “Ovos, iogurte natural, queijos magros e leguminosas ajudam na saciedade e na preservação da massa muscular. Carboidratos como aveia, arroz integral e batata-doce fornecem energia de maneira gradual, evitando picos de glicose. Já as frutas, verduras e legumes agregam fibras e micronutrientes, enquanto azeite de oliva, abacate e castanhas complementam o valor nutricional”, orienta o especialista.



Canetas emagrecedoras

Canetas emagrecedoras: especialista do Hospital IGESP explica por que comer melhor e se exercitar ainda é essencial para manter o peso

Uso da medicação não substitui mudanças estruturais na alimentação e no estilo de vida; segundo pesquisa, 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar das canetas emagrecedoras.

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras colocou os medicamentos injetáveis para perda de peso no centro do debate sobre obesidade e saúde metabólica. Ao atuarem na regulação do apetite e da saciedade, esses fármacos contribuem para a redução da ingestão calórica e para o emagrecimento, mas especialistas alertam que o uso da medicação, por si só, não substitui mudanças na alimentação e no estilo de vida.

Segundo a pesquisa Ipsos Health Service Report 2025, 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar das canetas emagrecedoras. Paralelamente, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 32,25% das notificações de eventos adversos relacionados à semaglutida no Brasil estão associadas ao uso fora das indicações aprovadas em bula, proporção cerca de três vezes maior do que a observada na base global da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O cenário reforça a necessidade de uso responsável e acompanhamento médico adequado. As canetas emagrecedoras reduzem a ingestão alimentar porque atuam em vias hormonais ligadas à saciedade e ao esvaziamento gástrico, com sinalização ao sistema nervoso central que o organismo está satisfeito, retardando a digestão, prolongando a sensação de plenitude após as refeições”, explica Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital IGESP. “Com isso, o indivíduo tende a comer menos e a se sentir saciado com porções menores, facilitando a redução do consumo calórico diário.”

Alimentação e exercício como base do tratamento


Apesar dos benefícios, a redução do apetite não garante, por si só, uma alimentação equilibrada. Sem orientação nutricional adequada, é possível diminuir calorias sem assegurar a ingestão correta de nutrientes essenciais, e esse desequilíbrio pode favorecer a perda de massa muscular, reduzir o gasto energético basal e dificultar a manutenção do peso no longo prazo.

“Durante o tratamento, a recomendação é priorizar proteínas magras, como frango, peixe, ovos, carnes magras e verduras, legumes e frutas ricos em fibras, carboidratos complexos (arroz integral, aveia, batata-doce), além de fontes de gorduras boas, como azeite de oliva, abacate, castanhas e sementes”, acrescenta o especialista.

A prática regular de atividade física é outro pilar indispensável, uma vez que o exercício contribui para a preservação e o ganho de massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina, aumenta o gasto energético total e ajuda a evitar a desaceleração metabólica associada à perda de peso. Além disso, não se pode descartar os benefícios cardiovasculares, metabólicos e impacto positivo no bem-estar psicológico.

“Dessa forma, as canetas emagrecedoras devem ser encaradas como uma ferramenta complementar, inserida em uma abordagem integrada que inclui reeducação alimentar, atividade física e mudanças comportamentais. A combinação dessas estratégias é fundamental para resultados sustentáveis e para a promoção da saúde de forma ampla, indo além da simples perda de peso”, finaliza o nutrólogo do Hospital IGESP.

Alimentação no período de quarentena

Devemos ficar atentos a exageros durante o período e praticar, cada vez mais, o conceito de mindful eating para o bem-estar prolongado 

Com a pandemia do coronavírus e a orientação de órgãos governamentais quanto ao isolamento social, entre tantas preocupações com relação à saúde e o bem-estar, devemos dar a devida importância também à qualidade da alimentação. 

Uma boa refeição reforça o sistema imunológico, que pode deixar seu corpo mais resistente e menos suscetível, bem como buscar uma consciência maior durante a alimentação. Por isso, uma das práticas mais benéficas para esse período é o mindful eating. 

Mas o que é mindful eating? 

O termo pode ser traduzido como “alimentação consciente” e visa estimular o hábito de uma alimentação mais equilibrada e saudável, aliando também atenção e presença no ato da refeição. Isso porque não basta apenas ter um bom alimento no prato, e sim se alimentar com tranquilidade e serenidade. A hora da refeição deve ser um momento sem distrações de TV ou celular, focando apenas no alimento, o que faz com que a ocasião se torne mais prazerosa e benéfica.  

Neste período de isolamento social, pode acontecer de as pessoas “comerem mais” do que o habitual. Por isso, é tão importante as boas práticas alimentares aliadas ao comportamento e ao prestar atenção às sensações durante as refeições. 

É importante lembrar que muitas pessoas buscam nos alimentos um conforto ou uma fuga para os sentimentos de angústia e ansiedade, tão comuns neste momento de estresse. Para evitar que isso reflita em outros problemas de saúde, o ideal é que a pessoa tenha a real consciência de sua sensação de fome, sabendo diferenciar se a busca pela refeição no momento está baseada nos sentimentos ou na necessidade. 

Se este for o caso, uma sugestão seria substituir o ato de comer à alguma ação benéfica, como tomar um copo com água, ou um chá, que contribuem para a hidratação, ou apenas desviar a atenção para uma outra atividade, como concluir um trabalho para quem está em home office, ou arrumar algo na casa que esteja precisando ser revitalizado. 

Na seleção dos alimentos e no preparo da refeição, a sugestão é que se prefira alimentos in natura e o menos processado possível, monte um prato bem colorido, por exemplo, com verduras e legumes. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas mundiais de saúde pública e, no Brasil, mais de 50% da população está com sobrepeso. De acordo com o site da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), a região sul do Brasil concentra a maior porcentagem de adultos com excesso de peso, 56,08%, enquanto o sudeste apresenta a maior porcentagem de crianças com excesso de peso na infância (entre 5 e 9 anos) 38%. 

O mindful eating existe para ser um aliado na melhoria da qualidade da refeição e da qualidade de vida. Outro aspecto importante é, na medida do possível, realizar exercícios físicos neste período de quarentena. 

Dr. Andrea Bottoni é médico nutrólogo, instrutor de mindful eating, mestre em nutrição e doutor em ciências pela UNIFESP, coordenador da equipe de nutrologia do Hospital IGESP e supervisor do programa de residência médica em nutrologia do hospital. 

Mindful Eating: os benefícios da alimentação consciente

Como o padrão mental é capaz de mudar nosso relacionamento com a comida, favorecendo uma alimentação mais consciente

Nos últimos tempos, muito tem se falado em Mindfulness, ou Atenção Plena. Trata-se de um conjunto de práticas que desenvolvem a capacidade de estar plenamente presente, sem julgamentos, de forma a permitir que o indivíduo saia do piloto automático. Desta forma, é possível conquistar inúmeros benefícios, cientificamente comprovados, como: redução do estresse, da insônia, da ansiedade, diminuição da irritação, melhora a memória, estimula a criatividade, promove o foco e a concentração, diminui as dores crônicas e gera inteligência emocional. Tudo isso com o simples passo de desacelerar e trabalhar a respiração, realizando uma tarefa por vez.

Existe uma série de práticas que podem ser realizadas, para que haja essa mudança de padrão mental, a partir da meditação. É possível se perceber como indivíduo e isso influenciará em todas relações, desde as coisas que acontecem ao redor, até o relacionamento consigo mesmo e com as outras pessoas. Entre essas vertentes práticas do Mindfulness, está o Mindful Eating, ou Comer Consciente, que tem por objetivo trabalhar a alimentação consciente, para respeitar o próprio corpo, para se respeitar, conectar melhor o corpo com a alimentação, entre outros importantes conceitos. O Mindful Eating promove atenção plena na alimentação, permitindo escolhas e experiências alimentares mais conscientes, o que é fundamental para a promoção da saúde. Sua prática não é para emagrecimento, mas isso pode ser eventualmente uma consequência.

O Mindful Eating pode promover uma “nova abordagem” de hábitos alimentares, tanto do ponto de vista nutricional, quanto neurocientífico e de engenharia comportamental. É preciso, livre de julgamentos, testemunhar as muitas sensações e pensamentos que surgem à medida são ingeridos alimentos. A Alimentação Consciente envolve a experiência de beber e comer, com toda a atenção necessária para sentir os efeitos sobre o corpo, atenção para os aromas, cores, sabores, texturas e temperatura do alimento.

Mais do que comer devagar, o Mindful Eating trabalha a consciência dos sinais físicos e emocionais da alimentação. Permite reconhecer os sinais de fome, vontade, saciedade e os “gatilhos” que despertam o desejo de comer. Com sua prática, aos poucos, é possível perceber outras necessidades, além do ato de comer.

Colocando em prática
Alguns passos para colocar o Mindful Eating em prática:
- Sentar-se confortavelmente em uma cadeira e mesa adequadas para refeição;
- Manter todos os dispositivos/celulares/televisores longe de você;
- Não ter pressa para comer;
- Trabalhe a respiração e observe os alimentos que irá ingerir;
- Descanse os talheres para que se sinta confortável;
- Sinta cada sabor, textura, aroma, maneira como o alimento lhe agrada;
- Feche os olhos para sentir com mais intensidade o momento;
- Imagine todo o percurso do alimento até chegar à sua mesa;
- Não pense nas calorias;
- Avalie sua fome x saciedade e veja se foram equilibradas;
- Agradeça pelo momento e por sua refeição.

Por Dr. Andrea Bottoni, especialista em nutrologia e em medicina esportiva, mestre em nutrição e doutor em ciências pela UNIFESP, instrutor de Mindful Eating, é coordenador de nutrologia do IGESP.

Alimentos que parecem ser saudáveis, mas não são: tome cuidado com essas ciladas

O crescimento de doenças relacionadas aos maus hábitos alimentares e baixa adesão à pratica de atividades físicas tem atingido níveis alarmantes. De acordo com o Atlas do Diabetes, há aproximadamente 425 milhões de diabéticos no mundo e, destes, 13 milhões encontram-se no Brasil. Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, registrou-se um aumento de 61,8% dos casos da doença no país, enquanto os índices de obesidade subiram para 60% no período.

Além das complicações causadas pelo Diabetes, outras doenças pegam carona neste estilo de vida adotado por grande parte da população, entre elas, os altos índices de pressão arterial, colesterol e triglicérides, que conduzem a problemas cardíacos, vasculares, hepáticos e tantos outros.

Ao dar o primeiro passo para fugir dessas estatísticas, muitas pessoas acabam, por conta própria, fazendo novas escolhas de acordo com o que a indústria alimentícia disponibiliza nas prateleiras dos supermercados. É neste momento que a maioria acaba entrando em uma cilada muito comum: a escolha por alimentos que parecem e são vendidos como saudáveis, mas na verdade não são. O apelo publicitário comercializa produtos altamente processados, repletos de conservantes, estabilizantes, açúcares e gorduras, fazendo com que o consumidor nem sempre opte pela melhor ou mais nutritiva opção. Como identificar esses produtos e efetuar as devidas substituições?

  1. Embutidos
    Embora muitos pensem que o peito de peru, por exemplo, seja uma opção mais leve, ele na verdade nunca foi uma escolha saudável. Assim como outros embutidos, ele é ultraprocessado e carregado de nitritos e nitratos, que são agentes carcinogênicos, além da alta quantidade de sódio, que pode causar a hipertensão arterial, aumenta o risco de AVC e o ganho de peso em função de inchaço e retenção hídrica. Na dúvida, opte por um frango grelhado ou desfiado, peixes, ovos mexidos ou alguma outra proteína minimamente processada.

  2. Barras de cereais e granola
    Ainda que os índices de fibras destes alimentos possam ser considerados altos, principalmente se comparado com barras de chocolates ou alguns cereais matinais, esses alimentos são ricos em açúcar, o que acaba empobrecendo seu caráter nutricional. Se o consumo é do agrado, a granola, por exemplo, pode ser substituída por uma porção de fruta enriquecida com aveia.

  3. Biscoitos e bolachas
    Muitas famílias, pricipalmente com crianças em casa, baniram os biscoitos recheados e compram apenas as versões integrais, ou ditas como tal. A verdade é que ao observar o rótulo, a diferença entre ambas é muito pequena. Os biscoitos integrais industrializados são repletos de açúcares e gorduras, para que tenham melhor sabor. Portanto, esses alimentos podem e devem ser substituídos por uma porção de castanhas ou frutas.

  4. Sopas instantâneas ou "sopas de pacotinho" e realçadores de sabor
    Muito consumido por quem busca a perda de peso, é preciso ter em mente que embora ofereçam poucas calorias para uma refeição, além de serem pobres de nutrientes, apresentam quantidades altíssimas de sódio e, mais uma vez, atrapalham em vez de ajudar. O mesmo serve para temperos realçadores de sabor e ricos em glutamato monossódico, mesmo nas versões light. A melhor opção é ainda a versão caseira do alimento, com legumes e algum tipo de proteína.

  5. Chocolates
    Para as pessoas que seguem uma dieta com objetivo de emagrecer e ter mais saúde, os chocolates, por exemplo, entram na lista de produtos altamente calóricos e que devem ser evitados. Porém, há quem não abra mão de uma pequena porção ocasionalmente. Nesses casos, a versão diet não é a melhor escolha, pois o fato de não possuir açúcar aumenta a quantidade de gorduras, devendo apenas ser consumido por pessoas que já possuem o Diabetes. Desta forma, optar por um chocolate amargo, com alto teor de cacau é a melhor opção. Assim como o chocolate diet, o mesmo serve para as versões light e diet de muitos alimentos, por isso, é fundamental fazer um comparativo na hora da compra.


Em todos os casos, as melhores escolhas sempre serão as versões mais naturais possíveis. Frutas, legumes, verduras, carnes, cereais e grãos pouco processados fazem parte de uma dieta equilibrada e devem preencher a geladeira e a dispensa de todos nós.

*Por Alexandre Andreani Paes Leme Giffoni é médico da Equipe de Nutrologia do Hospital IGESP.

Entenda por que o coentro é um caso de amor e ódio  

O coentro é uma planta muito utilizada, principalmente, na forma de tempero, sempre presente na culinária indiana, árabe e até no Brasil pelas regiões Norte e Nordeste. No entanto, ela é uma planta que causa muita polêmica, já que há quem ame e quem odeie sua presença nos pratos.  

Mas será que existe uma explicação científica para tanto amor e ódio de uma simples plantinhaSim. Um dos principais componentes do coentro é uma substância química chamada E-(2)-decenal, que consta também na secreção de defesa de alguns insetos. E como os seres humanos tem um gene chamado OR6A2, que permite sentir esse cheiro, podemos dizer que o coentro, para algumas pessoas, tenha sim cheiro e gosto de insetos.  

Mas, para os amantes da planta, o coentro pode trazer uma série de benefícios para a saúde como: rico em polifenóisfitoquímicos e carotenoides; ajuda no controle do açúcar no sangue; tem efeito anti-hiperglicemia por estimular a secreção de insulina; reduz o colesterol e triglicérides; tem efeito diurético; funciona como um detox do organismo; auxilia na remoção do mercúrio ingerido por água contaminada; tem função bactericida contra a salmonela e ação antifúngica. 

O coentro é utilizado também como erva medicinal, ajudando a prevenir algumas doenças, reduzindo os níveis de progesterona para melhorar a fertilidade. A planta é muito consumida em receitas de remédios caseiros para resfriados, febres, náuseas, vômitos, problemas de gastrites, antiparasitas, dores reumáticas e nas juntas.   

Rico em vitamina A, B1, B2, B3 e C, ele ainda conta com ácido fólico, que é um forte aliado do cérebro, faz bem ao coração, pele, unhas e cabelos, previne o câncer e melhora a imunidade. Suas folhas possuem uma concentração maior de vitaminas do que as sementes. A melhor forma de aproveitar suas propriedades, é incluí-lo na culinária em geral. Porém, pode ser usado na forma de extratos vegetais e óleos, a partir do processamento das sementes e folhas.  

O coentro é uma erva que traz muitos benefícios para a saúde, mas o ideal é não exagerar na quantidade quando sua utilização for como tempero, já que não agrada a todos os paladaresComece a utilizá-lo como ingrediente e vá introduzindo aos poucos na preparação das comidas do dia a dia. Quem sabe seu conceito sobre ele possa mudar? Fica a dica! 

*Por Dr. Alexandre Giffonié médico nutrólogo do Hospital IGESP 

Assista a entrevista completa sobre o tema, acesse https://bit.ly/2IQLitZ