Mudanças climáticas e o aumento das arboviroses

Cerca de 5,6 bilhões de pessoas estão sob risco de infecção por dengue e outras arboviroses, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse cenário, mudanças de temperatura, umidade e chuvas podem influenciar a circulação dessas doenças e favorecer a reprodução do Aedes aegypti. O alerta ganha força com o El Niño: em julho, o Ministério da Saúde apontou que o fenômeno pode contribuir para o aumento de arboviroses em 2026/2027, enquanto o INMET indicou, em setembro, mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno se configure como muito forte entre setembro e novembro.

Além do controle dos criadouros e da vacinação, a atenção aos sinais da doença é importante para reduzir o risco de complicações. No caso da dengue, os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náuseas e manchas vermelhas na pele. A chikungunya também pode provocar febre e dores articulares intensas, enquanto a infecção pelo vírus Zika costuma apresentar quadro mais leve, com manchas na pele, coceira, febre baixa e dores articulares.

“Os sintomas iniciais de algumas arboviroses podem ser semelhantes, por isso é importante observar a evolução do quadro e buscar avaliação médica quando houver febre ou outros sintomas persistentes, principalmente em pessoas que apresentam condições de saúde que possam aumentar o risco de complicações”, explica Julio Onita, infectologista e Coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP.

Na dengue, alguns sinais indicam a necessidade de atendimento médico imediato, especialmente após o período inicial de febre. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, dificuldade para respirar, sonolência ou irritabilidade e queda da pressão podem indicar agravamento do quadro e exigem avaliação.

A prevenção começa pelo controle dos locais onde o Aedes aegypti pode se reproduzir. Recipientes que acumulam água, como vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas e caixas-d’água sem vedação adequada, devem ser eliminados ou mantidos protegidos. A atenção deve continuar mesmo após períodos de chuva, já que pequenas quantidades de água acumulada são suficientes para a reprodução do mosquito. A vacinação também faz parte das estratégias de prevenção da dengue e a ampliação da cobertura é importante para aumentar a proteção da população. A indicação e o esquema vacinal devem seguir as orientações das autoridades de saúde, considerando os públicos elegíveis em cada campanha.

Medidas individuais também podem ajudar a reduzir o contato com o vetor. O uso de repelente, conforme as orientações do fabricante, roupas que cubram braços e pernas e telas em portas e janelas podem ser incorporados à rotina, especialmente em locais com maior circulação do mosquito. “A eliminação dos criadouros dentro e ao redor das residências é uma medida importante e precisa ser feita de forma contínua. Também é fundamental evitar a automedicação diante de suspeita de dengue, principalmente com anti-inflamatórios e aspirina, que podem aumentar o risco de sangramento e agravar o quadro”, orienta o infectologista.

A procura por atendimento é recomendada quando os sintomas forem intensos, persistentes ou apresentarem sinais de agravamento. “Só uma avaliação profissional permite diferenciar possíveis causas, indicar os cuidados necessários e acompanhar a evolução do quadro”, finaliza Julio Onita.

 

Alimentação equilibrada pode ajudar no controle da gordura visceral e prevenir doenças metabólicas

Acumulada ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino, a gordura visceral é considerada uma das mais prejudiciais à saúde, pois, diferentemente da gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele, ela apresenta maior atividade metabólica e está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, entre outras.

O problema está diretamente relacionado à obesidade abdominal, condição cada vez mais frequente na população. Segundo estudo publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology, a prevalência de obesidade abdominal entre adultos da América Latina varia entre 40% e 62%, a depender dos critérios diagnósticos adotados.

Embora fatores genéticos, hormonais e comportamentais influenciem esse acúmulo, a alimentação exerce papel importante na prevenção e no controle da gordura visceral quando associada à prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento médico.

A gordura visceral pode se desenvolver quando há um desequilíbrio prolongado entre a ingestão e o gasto energético. A gordura visceral é resultado de excessos mantidos ao longo do tempo, mas sua formação também sofre influência de fatores hormonais, inflamatórios e genéticos. Além disso, sedentarismo, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, estresse e privação de sono contribuem significativamente para esse processo.

Além do impacto estético, o excesso de gordura visceral está relacionado à síndrome metabólica, conjunto de condições que inclui aumento da circunferência abdominal, alterações da glicemia, colesterol elevado, aumento dos triglicerídeos e hipertensão arterial. A gordura visceral libera substâncias inflamatórias que favorecem a resistência à insulina e aumentam o risco de diversas doenças crônicas. Por isso, sua redução traz benefícios que vão muito além da perda de peso.

Alimentação pode contribuir para o controle da gordura visceral


Entre os alimentos que podem contribuir para o controle da gordura visceral estão frutas, verduras, legumes, aveia, feijão, lentilha, grão-de-bico e cereais integrais, importantes fontes de fibras e capazes de promover maior saciedade, auxiliar no controle da glicemia e favorecer o funcionamento intestinal.

Também merecem destaque fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, sementes e peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha e atum. Fibras e gorduras insaturadas não eliminam a gordura visceral de forma isolada, mas contribuem para um melhor controle metabólico, ajudam na saciedade e podem reduzir processos inflamatórios. Quando inseridos em uma alimentação equilibrada, tornam-se aliados importantes na prevenção e no tratamento.
Por outro lado, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, doces, embutidos e frituras deve ser limitado, já que o excesso desses produtos pode favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura abdominal.

Nem sempre o peso revela o risco


A presença de gordura visceral nem sempre está associada à obesidade aparente, já que pessoas com peso considerado adequado também podem apresentar acúmulo excessivo de gordura na região abdominal e alterações metabólicas importantes.

O aumento da circunferência abdominal é um dos principais sinais de alerta, especialmente quando está associado a hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardiovasculares. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica.

A investigação pode incluir exame físico, avaliação da composição corporal e exames laboratoriais para identificar fatores de risco e direcionar o tratamento mais adequado.

Não existe um alimento ou uma estratégia isolada capaz de reduzir a gordura visceral. O controle depende da combinação entre alimentação equilibrada, exercício físico regular, sono de qualidade e acompanhamento profissional. Quanto mais cedo esse excesso é identificado, maiores são as chances de prevenir complicações e preservar a saúde metabólica e cardiovascular.

Fonte
Dr. Andrea Bottoni – Médico Nutrólogo do Hospital IGESP

Sarampo volta a preocupar autoridades de saúde

Conhecida como uma das infecções mais contagiosas, a doença tem na vacinação a principal forma de prevenção, o que evita sua disseminação e o agravamento dos casos

São Paulo, agosto de 2026 - Considerado eliminado do Brasil em 2016, o sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde. O país registra um surto ativo concentrado no estado de São Paulo, cenário que levou o Ministério da Saúde a ampliar a vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, que concentram a maior parte dos casos confirmados em 2026.

Causado por um vírus da família Paramyxoviridae, o sarampo é transmitido pelo ar, principalmente por meio de tosse, espirro, fala ou contato próximo com uma pessoa infectada. A doença está entre as infecções mais contagiosas conhecidas e pode se espalhar rapidamente entre pessoas não imunizadas.

Embora muitos pacientes apresentem evolução favorável, o sarampo pode causar complicações como pneumonia e encefalite e, em casos mais graves, levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que exigem maior atenção.

Para Julio Onita, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, o cenário atual reforça a necessidade de manter a vacinação em dia.

“O risco de novos casos está diretamente relacionado à circulação de pessoas não vacinadas e à introdução do vírus por viajantes provenientes de regiões com transmissão ativa. Além disso, pacientes imunossuprimidos, como aqueles em tratamento oncológico, reumatológico ou neurológico, podem apresentar uma resposta imunológica reduzida e desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, manter a cobertura vacinal em dia é essencial para interromper a circulação do vírus”, afirma.

Como identificar os sintomas do sarampo?


Os primeiros sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após a exposição ao vírus e podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias. O quadro geralmente começa com febre acima de 38°C, tosse seca, coriza, conjuntivite e mal-estar.

Antes do surgimento das manchas na pele, também pode aparecer pequena lesão esbranquiçada na parte interna da boca, um dos sinais característicos do sarampo.

Entre o terceiro e o quinto dia após o início dos sintomas, surgem manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto. Em seguida, elas podem se espalhar para o pescoço, tronco, braços e pernas.

“A combinação entre febre alta, sintomas respiratórios e manchas pelo corpo deve servir como sinal de alerta. Diante desse quadro, principalmente em pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente e informar sobre viagens recentes ou contato com casos suspeitos ou confirmados”, orienta o especialista.

Como prevenir o sarampo?


A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. No Brasil, a imunização está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e da tetraviral, que também oferece proteção contra a varicela.

O esquema de imunização prevê duas doses, e o Ministério da Saúde estabelece como meta alcançar 95% de cobertura vacinal da população-alvo, índice considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser vacinadas.

A recomendação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) é que todos os moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com idade entre seis meses e 59 anos, procurem os postos de saúde a partir desta segunda-feira (3), independentemente da situação vacinal, para receber a vacina de reforço contra o sarampo.

Antes de viagens nacionais ou internacionais, especialmente para regiões com circulação do sarampo, também é importante verificar a situação vacinal. Em caso de dúvidas ou necessidade de atualização da caderneta, a orientação é procurar uma unidade de saúde.

Evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas compatíveis com a doença também contribui para reduzir o risco de transmissão. Isso porque o vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes do início dos sintomas e permanecer transmissível até quatro dias após o surgimento das manchas avermelhadas. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico e informar sobre possíveis exposições ao vírus.

“O sarampo não é uma doença do passado. Enquanto houver pessoas suscetíveis e cobertura vacinal insuficiente, o vírus continuará encontrando oportunidades para circular. A boa notícia é que existe uma forma segura, eficaz e amplamente disponível de prevenção: a vacinação”, conclui Julio Onita.

Sobre a Rede IGESP


A rede de serviço IGESP iniciou sua trajetória em 1955, com a fundação do Hospital IGESP Paulista. Ao longo dos anos, por meio de importantes ciclos de expansão, consolidou uma sólida reputação em excelência assistencial, posicionando-se como uma das mais relevantes redes de saúde com atuação na capital, Grande São Paulo e litoral paulista.

Atualmente, a rede conta com dois hospitais de perfil cirúrgico, o Hospital IGESP Paulista, referência em alta complexidade na região da Avenida Paulista, e o Hospital IGESP Litoral, em Praia Grande, ampliando o acesso a serviços qualificados na Baixada Santista. Ambas as unidades possuem certificação internacional QMentum, que atesta elevados padrões de segurança e desempenho assistencial.

Composta também pelas unidades de pronto atendimento IGESP Santana, na zona norte da capital, IGESP Guarujá e IGESP Santos, e uma ampla rede de unidades ambulatoriais estrategicamente distribuídas, garantindo acesso, conveniência e resolutividade aos pacientes. Com foco permanente na qualidade, o IGESP adota um modelo de atenção integral, sustentado por investimentos contínuos em tecnologia, inovação, qualificação profissional e rigorosos protocolos de segurança, reforçando seu compromisso com um cuidado cada vez mais eficiente, humano e de alto padrão. Acesse: www.hospitaligesp.com.br

Uso inadequado de antibióticos é um risco à saúde

O uso incorreto de antibióticos é uma prática ainda comum em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. Importantes no tratamento de infecções causadas por bactérias, quando utilizados de maneira inadequada esses medicamentos podem perder a eficácia ao longo do tempo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças à saúde pública global. A entidade projeta que, até 2050, o problema poderá causar até 10 milhões de mortes por ano.

No Brasil, um levantamento da plataforma NewsLab – com base em dados da Sociedade Brasileira de Infectologia – mostra que 55,5% da população desconhece a relação entre o uso inadequado de antibióticos e a resistência antimicrobiana. Além disso, 24,5% dos brasileiros afirmaram ter feito uso desses medicamentos sem prescrição médica ao menos uma vez no último ano.

De acordo com o médico infectologista Julio Onita, quando os antibióticos são utilizados sem prescrição médica ou em doses inadequadas as bactérias podem desenvolver mecanismos de defesa, tornando-se resistentes aos medicamentos disponíveis. “Isso dificulta o tratamento de doenças comuns e aumenta o risco de complicações, internações prolongadas e até mortes”, explica o coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, em São Paulo.

Entre os comportamentos mais frequentes no dia a dia da população estão a automedicação, a interrupção do tratamento antes do período recomendado e o uso de antibióticos para tratar sintomas típicos de gripes e resfriados, que geralmente têm origem viral. “Esse tipo de uso pode contribuir para o surgimento de bactérias resistentes, o que dificulta tratamentos futuros e reduz as opções terapêuticas disponíveis”, ressalta o médico.

Uso correto de antibióticos


Para diminuir o risco de resistência antimicrobiana é preciso seguir as recomendações dos organismos de saúde e dos médicos. Primeiro, o uso adequado de antibióticos envolve sempre a orientação de um profissional de saúde, que pode indicar o medicamento mais apropriado para cada situação. É importante respeitar a dosagem, os horários e o tempo de uso recomendado. Mesmo que os sintomas melhorem antes do fim do tratamento, a interrupção precoce pode comprometer a eficácia.

De acordo com o especialista, o ideal é não utilizar antibióticos por conta própria, não guardar sobras para uso futuro e não compartilhar o medicamento com outras pessoas. “Essas práticas contribuem para preservar a eficácia dos antibióticos e reduzir os riscos associados ao uso inadequado”, finaliza.

Mais utilizados no frio, descongestionantes nasais podem afetar coração

Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumentam os casos de rinite, alergias respiratórias e resfriados. Na tentativa de aliviar rapidamente a congestão nasal, muitas pessoas recorrem aos descongestionantes vendidos sem prescrição médica, mas o que poucos sabem é que o uso frequente desses medicamentos pode trazer consequências que vão além do sistema respiratório e pode afetar o funcionamento do coração.

Dados de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Campos mostram que 75% das pessoas utilizam descongestionantes nasais e que 63% recorrem à automedicação. A pesquisa também identificou que 23% dos participantes apresentavam dependência ativa desses produtos e entre eles, houve maior prevalência de efeitos como hipertensão arterial e taquicardia.

O cardiologista Daniel Terrível explica o mecanismo de ação desses medicamentos e os riscos associados ao uso indiscriminado.

"Os descongestionantes nasais promovem a contração dos vasos sanguíneos para reduzir o inchaço da mucosa e facilitar a passagem do ar. No entanto, esse efeito não ocorre apenas no nariz. Em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou fatores de risco cardiovasculares, essas substâncias podem elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e favorecer episódios de palpitação", explica o especialista.

Para quem enfrenta episódios recorrentes de obstrução nasal, a recomendação é investigar a causa do sintoma em vez de recorrer continuamente aos descongestionantes. Medidas como lavagem nasal com solução salina, hidratação adequada, controle de fatores ambientais e tratamento específico para rinite alérgica podem ajudar a aliviar o desconforto sem os riscos associados ao uso prolongado desses medicamentos.

Nos casos em que já existe dependência, a interrupção do uso deve ocorrer com acompanhamento médico. "Muitas pessoas mantêm um frasco na bolsa, no carro ou ao lado da cama e passam a utilizar o produto automaticamente diante de qualquer desconforto. Identificar esse comportamento e estabelecer um plano para abandoná-lo é fundamental para reduzir a dependência e evitar a exposição contínua aos efeitos sistêmicos da medicação", afirma o cardiologista.

Embora sejam eficazes para o alívio temporário da congestão nasal, os descongestionantes não devem ser utilizados por períodos prolongados nem sem orientação profissional. O uso consciente desses medicamentos é essencial para preservar não apenas a saúde respiratória, mas também a cardiovascular, especialmente entre pessoas com doenças cardíacas já diagnosticadas.

Aeróbicos ou musculação: qual estratégia é mais eficaz para quem tem risco cardíaco?

A prática regular de exercícios físicos está entre as principais recomendações para prevenir doenças cardiovasculares e pode reduzir em cerca de 40% o risco de mortalidade, segundo o European Journal of Preventive Cardiology. Ainda assim, é comum que pessoas com histórico familiar de infarto ou doenças coronarianas tenham dúvidas sobre qual caminho seguir entre tantas modalidades, como corrida, crossfit ou musculação.

Durante muito tempo, os exercícios aeróbicos foram considerados os principais aliados do coração, mas hoje, a visão é mais ampla e a proteção cardiovascular é maior quando diferentes modalidades são combinadas. “Os exercícios aeróbicos, como caminhada ou corrida na esteira, têm impacto direto no músculo cardíaco e no sistema circulatório. Eles aumentam o volume sistólico, permitindo que o coração bombeie mais sangue a cada batimento, o que reduz a frequência cardíaca em repouso. Também ajudam a controlar a pressão arterial e a elevar o HDL, o chamado bom colesterol, além de melhorar a capacidade do organismo de absorver e utilizar o oxigênio”, explica o cardiologista, Daniel Terrível.

Se o aeróbico atua diretamente no condicionamento cardiorrespiratório, a musculação complementa esse efeito ao trabalhar outros mecanismos importantes para a saúde do coração. Embora ainda seja associada principalmente ao ganho de massa muscular, ela também tem papel relevante na proteção cardiovascular.

“O treinamento resistido contribui para reduzir a rigidez arterial e melhorar a função do endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos. Também aumenta a sensibilidade à insulina, auxiliando na prevenção e no controle do diabetes e da obesidade, fatores de risco importantes para o infarto. Além disso, o ganho de força muscular reduz a sobrecarga do coração em atividades do dia a dia”, complementa o médico.

Nesse contexto, as duas práticas não competem, mas se complementam. “A estratégia mais indicada é a combinação das modalidades. A esteira melhora a resistência cardiorrespiratória e a eficiência do miocárdio, enquanto a musculação atua no metabolismo, na pressão arterial e no controle glicêmico e lipídico”, reforça o especialista.

Mais do que escolher entre uma ou outra atividade, o ponto principal está na consistência e na segurança. Para quem tem histórico familiar de infarto, a integração entre exercícios aeróbicos e musculação tende a ser a abordagem mais completa. “Antes de iniciar qualquer rotina, é fundamental buscar orientação médica e manter os exames em dia. Com acompanhamento

adequado, é possível definir a frequência cardíaca segura e as cargas ideais, garantindo que o exercício seja, de fato, um aliado da saúde do coração”, finaliza o cardiologista.

Ministério da Saúde anuncia campanha de imunização contra sarampo





Dois casos confirmados de sarampo em São Paulo levantam alerta sobre a vacinação.

O Ministério da Saúde lançou em 29/04/26 uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo, direcionada a brasileiros que planejam viajar para a Copa do Mundo da FIFA 2026. Com o apoio do tetracampeão mundial Raí, a iniciativa visa alertar os viajantes sobre a importância de verificar e atualizar a caderneta de vacinação antes do embarque, conforme as orientações do Calendário Nacional de Vacinação.

A urgência dessa medida é reforçada pela recente confirmação de dois casos de sarampo em São Paulo, com o segundo registrado ontem (28). O paciente, um homem de 42 anos natural da Guatemala, foi diagnosticado no final de março, em São Paulo, e a confirmação da doença veio após exames laboratoriais.

O primeiro caso de sarampo no estado paulista envolveu uma bebê de seis meses, não vacinada, que viajou para a Bolívia em janeiro deste ano. Confirmado no início deste mês, esse caso foi o primeiro registrado no país, segundo o Ministério da Saúde.

Os riscos do sarampo


O sarampo é transmitido pelo contato próximo, por gotículas e partículas no ar liberadas ao falar, tossir ou espirrar. Por ser altamente contagioso, um breve contato com uma pessoa infectada pode ser suficiente. Os principais sintomas são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas pelo corpo.

Segundo o infectologista do hospital IGESP, Julio Onita, há risco de aumento de casos, pois o sarampo é uma doença altamente infectocontagiosa. “Os fatores que contribuem para um possível aumento estão a circulação de pessoas não vacinadas, especialmente imigrantes e refugiados com status vacinal desconhecido, e o crescimento de populações com imunidade comprometida, como pacientes em tratamento oncológico, reumatológico ou neurológico. Mesmo quem já foi vacinado pode ter redução da resposta imunológica ao longo do tempo, dependendo dessas condições”, afirma o especialista.

Quem deve ser vacinado


A vacina contra o sarampo é ofertada gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes e adultos, independentemente se tem viagem marcada.

· Crianças de 6 a 11 meses devem receber a chamada “dose zero”.

· Pessoas de 12 meses a 29 anos precisam de duas doses.

· Adultos de 30 a 59 anos devem receber uma dose.

“A vacina utiliza um vírus vivo enfraquecido, que não causa a doença em pessoas saudáveis, mas é suficiente para estimular o sistema imunológico. Isso leva à produção de anticorpos que permanecem no organismo e são rapidamente ativados, caso haja contato com o vírus real.”, explica o infectologista.



Café, energético ou pré-treino: qual é a melhor escolha antes do exercício?





Cada alternativa possui composição diferente e pode provocar efeitos distintos no organismo, especialmente no sistema cardiovascular.





Café, suplementos pré-treino e bebidas energéticas estão entre as opções mais utilizadas antes da prática de exercícios físicos e, apesar do objetivo semelhante, cada alternativa possui composição diferente e pode provocar efeitos distintos no organismo, especialmente no sistema cardiovascular.


A cafeína, principal estimulante presente nesses produtos, está associada à melhora do rendimento físico quando consumida em quantidades adequadas. Segundo a International Society of Sports Nutrition, a ingestão de 3 a 6 mg de cafeína por quilo de peso corporal pode contribuir para melhor desempenho em diferentes tipos de exercício.


Ao mesmo tempo, avaliações da European Food Safety Authority indicam que o consumo de até 400 mg por dia é considerado seguro para adultos saudáveis; acima desse nível, aumentam as chances de efeitos como palpitações, ansiedade e alterações na frequência cardíaca.


O cardiologista do Hospital IGESP, Daniel Terrível, explica que o ponto central está na quantidade de estimulantes ingeridos e na forma como eles se combinam. “Produtos com múltiplos compostos estimulantes podem intensificar os efeitos sobre o coração e a circulação. Por esse motivo, compreender a composição de cada opção ajuda a escolher a alternativa mais adequada para o tipo de treino e para a tolerância individual à cafeína”, comenta.



Café, suplemento ou energético?


O café se destaca pela composição simples, uma vez que contém cafeína natural e poucos outros componentes com efeito estimulante, o que permite maior controle sobre a quantidade ingerida e reduz o risco de associação com substâncias que possam intensificar o impacto cardiovascular.


Por esse motivo, costuma ser suficiente para quem busca apenas mais disposição e foco antes do exercício. Em geral, é indicado para atividades físicas moderadas, como caminhadas, corridas leves ou treinos de academia de intensidade moderada.


Já os suplementos pré-treino apresentam fórmulas mais complexas. Além de cafeína, frequentemente incluem aminoácidos, compostos relacionados à resistência muscular e substâncias associadas à vasodilatação. Esse tipo de produto costuma ser utilizado por pessoas que realizam treinos mais intensos ou que buscam melhorar o desempenho físico de forma mais específica.


“A presença de múltiplos ingredientes, no entanto, exige atenção à dose total de estimulantes. Por isso, o consumo costuma ser mais comum entre praticantes de musculação com cargas elevadas, treinos de alta intensidade ou rotinas voltadas ao desempenho esportivo”, afirma o cardiologista do Hospital IGESP.


As bebidas energéticas, por sua vez, também utilizam cafeína como principal estimulante, mas geralmente combinam a substância com altos níveis de açúcar e outros compostos estimulantes, combinação que pode provocar aumento mais rápido da frequência cardíaca e da pressão arterial.


Por esse motivo, o consumo antes da atividade física exige cautela, sobretudo em exercícios intensos ou prolongados. Diferentemente do café ou de suplementos formulados especificamente para treino, os energéticos costumam estar mais associados a situações de cansaço ou necessidade de alerta no cotidiano, como longos períodos de trabalho ou estudo, e não necessariamente a uma estratégia de pré-treino.


“Em muitos casos, quantidades moderadas do estimulante já são suficientes para aumentar a disposição e o foco durante o exercício. Avaliar a presença de outros compostos estimulantes e evitar excessos ajuda a reduzir impactos sobre o sistema cardiovascular e contribui para uma prática esportiva mais segura”, finaliza Daniel Terrível.