Alimentação equilibrada pode ajudar no controle da gordura visceral e prevenir doenças metabólicas

Acumulada ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino, a gordura visceral é considerada uma das mais prejudiciais à saúde, pois, diferentemente da gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele, ela apresenta maior atividade metabólica e está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, entre outras.

O problema está diretamente relacionado à obesidade abdominal, condição cada vez mais frequente na população. Segundo estudo publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology, a prevalência de obesidade abdominal entre adultos da América Latina varia entre 40% e 62%, a depender dos critérios diagnósticos adotados.

Embora fatores genéticos, hormonais e comportamentais influenciem esse acúmulo, a alimentação exerce papel importante na prevenção e no controle da gordura visceral quando associada à prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento médico.

A gordura visceral pode se desenvolver quando há um desequilíbrio prolongado entre a ingestão e o gasto energético. A gordura visceral é resultado de excessos mantidos ao longo do tempo, mas sua formação também sofre influência de fatores hormonais, inflamatórios e genéticos. Além disso, sedentarismo, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, estresse e privação de sono contribuem significativamente para esse processo.

Além do impacto estético, o excesso de gordura visceral está relacionado à síndrome metabólica, conjunto de condições que inclui aumento da circunferência abdominal, alterações da glicemia, colesterol elevado, aumento dos triglicerídeos e hipertensão arterial. A gordura visceral libera substâncias inflamatórias que favorecem a resistência à insulina e aumentam o risco de diversas doenças crônicas. Por isso, sua redução traz benefícios que vão muito além da perda de peso.

Alimentação pode contribuir para o controle da gordura visceral


Entre os alimentos que podem contribuir para o controle da gordura visceral estão frutas, verduras, legumes, aveia, feijão, lentilha, grão-de-bico e cereais integrais, importantes fontes de fibras e capazes de promover maior saciedade, auxiliar no controle da glicemia e favorecer o funcionamento intestinal.

Também merecem destaque fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, sementes e peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha e atum. Fibras e gorduras insaturadas não eliminam a gordura visceral de forma isolada, mas contribuem para um melhor controle metabólico, ajudam na saciedade e podem reduzir processos inflamatórios. Quando inseridos em uma alimentação equilibrada, tornam-se aliados importantes na prevenção e no tratamento.
Por outro lado, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, doces, embutidos e frituras deve ser limitado, já que o excesso desses produtos pode favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura abdominal.

Nem sempre o peso revela o risco


A presença de gordura visceral nem sempre está associada à obesidade aparente, já que pessoas com peso considerado adequado também podem apresentar acúmulo excessivo de gordura na região abdominal e alterações metabólicas importantes.

O aumento da circunferência abdominal é um dos principais sinais de alerta, especialmente quando está associado a hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardiovasculares. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica.

A investigação pode incluir exame físico, avaliação da composição corporal e exames laboratoriais para identificar fatores de risco e direcionar o tratamento mais adequado.

Não existe um alimento ou uma estratégia isolada capaz de reduzir a gordura visceral. O controle depende da combinação entre alimentação equilibrada, exercício físico regular, sono de qualidade e acompanhamento profissional. Quanto mais cedo esse excesso é identificado, maiores são as chances de prevenir complicações e preservar a saúde metabólica e cardiovascular.

Fonte
Dr. Andrea Bottoni – Médico Nutrólogo do Hospital IGESP

Mais utilizados no frio, descongestionantes nasais podem afetar coração

Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumentam os casos de rinite, alergias respiratórias e resfriados. Na tentativa de aliviar rapidamente a congestão nasal, muitas pessoas recorrem aos descongestionantes vendidos sem prescrição médica, mas o que poucos sabem é que o uso frequente desses medicamentos pode trazer consequências que vão além do sistema respiratório e pode afetar o funcionamento do coração.

Dados de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Campos mostram que 75% das pessoas utilizam descongestionantes nasais e que 63% recorrem à automedicação. A pesquisa também identificou que 23% dos participantes apresentavam dependência ativa desses produtos e entre eles, houve maior prevalência de efeitos como hipertensão arterial e taquicardia.

O cardiologista Daniel Terrível explica o mecanismo de ação desses medicamentos e os riscos associados ao uso indiscriminado.

"Os descongestionantes nasais promovem a contração dos vasos sanguíneos para reduzir o inchaço da mucosa e facilitar a passagem do ar. No entanto, esse efeito não ocorre apenas no nariz. Em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou fatores de risco cardiovasculares, essas substâncias podem elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e favorecer episódios de palpitação", explica o especialista.

Para quem enfrenta episódios recorrentes de obstrução nasal, a recomendação é investigar a causa do sintoma em vez de recorrer continuamente aos descongestionantes. Medidas como lavagem nasal com solução salina, hidratação adequada, controle de fatores ambientais e tratamento específico para rinite alérgica podem ajudar a aliviar o desconforto sem os riscos associados ao uso prolongado desses medicamentos.

Nos casos em que já existe dependência, a interrupção do uso deve ocorrer com acompanhamento médico. "Muitas pessoas mantêm um frasco na bolsa, no carro ou ao lado da cama e passam a utilizar o produto automaticamente diante de qualquer desconforto. Identificar esse comportamento e estabelecer um plano para abandoná-lo é fundamental para reduzir a dependência e evitar a exposição contínua aos efeitos sistêmicos da medicação", afirma o cardiologista.

Embora sejam eficazes para o alívio temporário da congestão nasal, os descongestionantes não devem ser utilizados por períodos prolongados nem sem orientação profissional. O uso consciente desses medicamentos é essencial para preservar não apenas a saúde respiratória, mas também a cardiovascular, especialmente entre pessoas com doenças cardíacas já diagnosticadas.