Comidas gordurosas e açucaradas: Por que nosso cérebro as escolhe?

Quem nunca se viu tentado a comer uma batata frita ou um sorvete, que atire a primeira pedra.

E no dia a dia as opções são muitas, principalmente para quem realiza suas refeições fora de casa. Frituras, massas, pães, doces, a lista de alimentos ricos em gorduras, açúcares e carboidratos é imensa e, se consumidos em excesso, os prejuízos podem ir muito além do ganho de peso. O que muitas pessoas se perguntam é: por que esses alimentos são tão desejados e como resistir a infinidade de produtos alimentícios oferecidos pela indústria?

Para responder, em parte, a essas perguntas, precisamos voltar bastante na história da humanidade e lembrar que, nos primórdios, a ingestão de gordura era importante para formar a nossa reserva energética, e garantir a vida do indivíduo até a próxima refeição, que era incerta.

Isto vale nos dias de hoje também, mas as dinâmicas de vida, de uma forma geral, mudaram muito. Por exemplo, entre outras coisas, antigamente se praticava muito mais exercício físico, uma vez que a alimentação dependia do esforço direto do interessado. Hoje, de forma geral, encontramos o alimento na prateleira do supermercado. A gordura, além de ser energética, é extremamente palatável, caraterística aproveitada pela indústria de alimentos para tornar estes cada vez mais “desejáveis“ ao consumo.

Os alimentos que apresentam grandes quantidades de gorduras saturadas, e às vezes até gorduras trans, são os mais palatáveis, e o excesso de consumo pode ser prejudicial à saúde. Para suprir as necessidades orgânicas, o ideal é priorizar alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, como o azeite de oliva extra-virgem, as castanhas e os peixes de água fria, como o salmão e a sardinha.

Com alimentos açucarados é um pouco diferente, pois eles estimulam um neurotransmissor chamado dopamina. A dopamina está envolvida com o sistema de recompensas de nosso cérebro, e quanto mais alta sua taxa, maior a sensação de bem-estar, conforto, prazer e saciedade. O que acontece é que uma vez elevada a dopamina, nosso cérebro pede mais. Por isso aumenta a “necessidade” de ingerir produtos ricos em açúcar.

Outro grupo de alimentos que também entram nessa questão são os ricos em carboidratos simples, como massas, pães, bolos, biscoitos e pizzas. É comum sentir vontade de comer mais um pedaço, isso porque esses alimentos fazem com que o corpo produza mais insulina e aumente a sensação de bem-estar. Neste caso, a melhor opção é escolher a versão integral desses alimentos que, ao menos, saciarão por mais tempo.

Sabendo dessas armadilhas do nosso cérebro, fica um pouco mais fácil entender essas vontades repentinas por alimentos que, se consumidos em excesso, podem causar prejuízo à saúde. Cabe a nós, fazermos as melhores escolhas, pensando sempre em nossa saúde em médio e longo prazo.

*Por Dr. Andrea Bottoni, especialista em nutrologia e em medicina esportiva, mestre em nutrição e doutor em ciências pela UNIFESP, instrutor de Mindful Eating, é coordenador de nutrologia do IGESP.

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