Julho Amarelo, mês de luta contra as Hepatites Virais

Julho Amarelo, mês de luta contra as Hepatites Virais

Hepatites Virais são infecções que atingem o fígado e podem ser ocasionadas por vírus, ingestão de álcool e drogas, doenças autoimunes, metabólicas, genéticas ou até mesmo por uso indevido de alguns medicamentos - podendo causar danos leves, moderados ou graves.



Os 5 principais tipos são:


Hepatite A: é a mais comum e está diretamente ligada às condições de saneamento básico e de higiene, possui transmissão oral-fecal. Trata-se de uma infecção leve, se comparada as outras hepatites, autolimitada e de resolução sem necessidade de intervenção.


Principais sintomas: Na maioria das vezes a Hepatite A apresenta sintomatologia discreta, caracterizada por cansaço, fraqueza, diminuição do apetite e dor na parte superior da barriga, mas pode ocorrer um quadro de hepatite fulminante - disfunção muito grave do fígado que se manifesta rapidamente. Pessoas que já tiveram Hepatite A apresentam imunidade a este tipo de hepatite, no entanto, continua susceptível aos outros tipos.






Hepatite B: segundo tipo de hepatite com maior incidência e o contágio acontece através de relações sexuais sem proteção ou por objetos pontiagudos sujos de sangue. Além disso, a Hepatite B pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação.


Principais sintomas: A Hepatite B pode ser assintomática, mas, mesmo assim, precisa de tratamento para evitar a progressão da doença e deterioração do fígado. Nos casos sintomáticos, pode haver enjoos, febre baixa, dor nas articulações e dor abdominal.






Hepatite C: Sua principal forma de transmissão é o contato com sangue. Também é responsável pela maior causa de transplantes de fígado e a doença pode estar relacionada à cirrose e câncer. Tem 1/3 de chance de ser autolimitada e curar sozinha e 2/3 de evolução para doença crônica.


Principais sintomas: Na maioria dos casos, os sintomas da hepatite C surgem entre 2 meses e 2 anos após o contato com o vírus, sendo os principais a pele amarelada, urina escura, dores abdominais e perda de apetite.






Hepatite D: causada pelo vírus VHD, ocorre apenas em pacientes já infectados pelo vírus da Hepatite B. A vacinação da Hepatite B também protege contra a Hepatite D.


Principais sintomas: Esse tipo de Hepatite pode ser assintomática, sintomática ou sintomática grave de acordo com o grau de comprometimento do fígado pelo vírus.






Hepatite E: é transmitida por via digestiva e provoca grandes epidemias em algumas regiões, sendo menos frequente no Brasil. É autolimitada e leve, sem a necessidade de intervenção assim como a Hepatite.


Principais sintomas: A Hepatite E normalmente é assintomática, principalmente em crianças, mas quando surgem sintomas, os principais são febre baixa, dor abdominal e urina escura.



Formas de prevenção



  • Hepatite A: vacinação, lavar bem as mãos, utilizar água tratada e cozinhar bem os alimentos.

  • Hepatite B: vacinação, utilizar preservativos, não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e material de manicure ou pedicure.

  • Hepatite C: não existe vacina, mas é importante não compartilhar objetos que possam ter entrado em contato com sangue e utilizar preservativos nas relações sexuais.

  • Hepatite D: vacinação e melhorar as condições de saneamento básico e de higiene.

  • Hepatite E: não existe vacina, mas é importante manter uma higiene adequada como lavar bem as mãos, utilizar água tratada e cozinhar bem os alimentos.


 Independentemente do tipo de hepatite, é importante que o diagnóstico seja feito na fase inicial da doença para evitar a progressão da doença e a necessidade de realização de transplante de fígado.



Conscientização da população


A falta de conhecimento da doença é um grande desafio para a saúde pública do Brasil e, por isso, o julho Amarelo promove a importância da conscientização para a prevenção e tratamento das Hepatites Virais.







O que você precisa saber sobre a febre maculosa

O que você precisa saber sobre a febre maculosa

febre maculosa é uma doença infecciosa e pode ser transmitida aos seres humanos pela picada do carrapato-estrela. Essa doença pode ser grave e potencialmente fatal se não for tratada precocemente.


Neste artigo, vamos falar sobre os sintomas, diagnóstico, o tratamento e as medidas preventivas para ajudá-lo a entender melhor a doença.



O que é a febre maculosa?


A febre maculosa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. É transmitida aos seres humanos por carrapatos infectados, pela espécie Amblyomma sculptum, conhecida como carrapato-estrela, nos Estados Unidos, e a espécie Amblyomma cajennense, no Brasil.


Os carrapatos se tornam infectados quando picam animais selvagens, como capivaras e cavalos, que são os principais hospedeiros da bactéria. Em seguida, os carrapatos infectados podem transmitir a Rickettsia rickettsii para os seres humanos através de suas picadas.



E quais são os sintomas?


Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de outras doenças febris, dificultando o diagnóstico. No entanto, alguns sinais característicos incluem:




  • Febre alta;

  • Dores musculares intensas;

  • Dor de cabeça;

  • Mal-estar geral;

  • Manchas vermelhas na pele (erupção cutânea);

  • Náuseas e vômitos;

  • Dor abdominal.


Como é feito o diagnóstico e tratamento?


O diagnóstico é baseado na análise dos sintomas clínicos e em exames laboratoriais específicos para detecção da bactéria. É importante relatar ao médico qualquer histórico de exposição a carrapatos ou áreas endêmicas.


O tratamento precoce da febre maculosa é essencial para evitar complicações graves. O medicamento de escolha é a doxiciclina, um antibiótico eficaz no combate à bactéria. A administração rápida do tratamento pode reduzir significativamente o risco de complicações e a mortalidade associada à doença.



Prevenção da febre maculosa


A prevenção é fundamental para evitar a febre maculosa. Aqui estão algumas medidas que você pode tomar para reduzir o risco de contrair a doença:




  1. Evite áreas com alta infestação de carrapatos, como matas e locais com vegetação densa;

  2. Use roupas de manga longa, calças compridas e sapatos fechados ao caminhar em áreas suscetíveis a carrapatos;

  3. Aplique repelentes de insetos na pele e nas roupas, seguindo as instruções do fabricante;

  4. Faça uma inspeção minuciosa no corpo após passar algum tempo em áreas propensas a carrapatos. Certifique-se de verificar cuidadosamente áreas como axilas, virilha, couro cabeludo e atrás das orelhas;

  5. Caso encontre um carrapato, remova-o corretamente, agarrando-o próximo à pele com uma pinça e puxando-o suavemente.


A febre maculosa é uma doença infecciosa grave transmitida por carrapatos, que pode levar a complicações sérias se não for tratada a tempo.


Conhecer os sintomas, buscar atendimento médico e adotar medidas preventivas são a chave para prevenir a infecção e garantir uma recuperação rápida e segura. Se você suspeitar de febre maculosa, procure imediatamente um profissional de saúde para um diagnóstico adequado e iniciar o tratamento o quanto antes.


Sua saúde e bem-estar são fundamentais!


Drª Ana Paula Jafet Coordenadora - Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP



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Esfriou? Atenção aos cuidados com a laringite viral em crianças

Esfriou? Atenção aos cuidados com a laringite viral em crianças

Com a chegada do inverno e suas baixas temperaturas, está aberta também a temporada das doenças comuns no período, como gripes e resfriados. Além dessas mais conhecidas, a laringite merece uma atenção especial, principalmente em crianças, que são as mais afetadas com as mudanças bruscas no tempo. A doença pode ser causada por diversos agentes infecciosos, mas a forma viral é a mais comum.


A laringe é o órgão que liga faringe e traqueia, com função respiratória e fonatória. Na inflamação por vírus respiratórios transmitida através da saliva, tosse, fala e respiração. Os primeiros sintomas incluem rouquidão, tosse, cócegas na parte posterior da garganta e dificuldade para engolir e respirar.


“Esse tipo de ocorrência é bem comum no inverno e mais ainda em crianças pequenas, de até dois anos de idade. Além dos sintomas citados, é possível ainda que a laringite viral provoque febre, que deve ser observada e tratada com antitérmicos, sob orientação médica”, explica a pediatra e neonatologista do Grupo Trasmontano, Dra. Patricia Terrivel.


Na maioria dos casos, a obstrução das vias aéreas dura de dois a três dias, com diminuição dos sintomas ao final de cinco dias. Mas podem acontecer situações mais graves e persistentes, que requerem outros cuidados. “Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de inalação. Se a criança apresentar cansaço, dificuldade para respirar e febre alta persistente, é preciso procurar o pediatra e realizar o acompanhamento médico”, finaliza.



Dicas para amenizar sintomas da laringe viral


· A partir de 01 ano de idade, pode oferecer mel para aliviar a tosse e a irritação na garganta;


· É importante manter a criança hidratada com água, sucos naturais e chás mornos;


· Elevar a cabeça da criança durante o sono pode ajudar a diminuir a dificuldade para respirar. Use uma almofada extra ou eleve o colchão.






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Fevereiro Laranja: Como identificar os sintomas iniciais da Leucemia

Fevereiro Laranja: Como identificar os sintomas iniciais da Leucemia

Especialista do Hospital IGESP explica como identificar os primeiros sinais e quais os tratamentos disponíveis conforme o diagnóstico do paciente.


Todos os anos, cerca de 11 mil pessoas são diagnosticadas com leucemia no Brasil e, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são registradas quase 7 mil mortes em decorrência deste tipo de câncer que atinge as células sanguíneas. No mês da campanha de conscientização sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea, denominada "Fevereiro Laranja", a hematologista do Hospital IGESP, Gabriela Aguiar Bulhões, chama a atenção para os sintomas iniciais da doença, que devem ser observados.


“A leucemia é o câncer das células sanguíneas que se inicia nos tecidos formadores de sangue, principalmente na medula óssea, mas rapidamente pode comprometer demais órgãos. A classificação das leucemias é bem complexa e compreende aspectos quanto a velocidade de duplicação de suas células, quanto o tipo de célula tumoral. Os dois grandes grupos de leucemias são a Linfocítica e a Mielocítica e quanto à rapidez de progressão da doença, são classificadas em agudas e crônicas. Leucemias agudas são mais dramáticas, por progridem rapidamente com risco de morte se o tratamento não for iniciado com brevidade, enquanto as crônicas têm evolução mais lenta e pode não precisar de tratamento imediato”, explica a hematologista.


A manifestação dos sintomas acontece de acordo com o tipo de leucemia que acomete as células brancas do sangue (leucócitos).


Como a leucemia compromete a produção do sangue, os elementos que formam as plaquetas, leucócitos e células vermelhas (eritrócitos), começam a ser afetados à medida que as células brancas tumorais se multiplicam. Apesar das células brancas estarem em grande quantidade, elas não funcionam adequadamente, e como são células de defesa, um dos primeiros sinais são infecções persistentes, febre.


À medida que a medula óssea é invadida pelas células tumorais, a produção de plaquetas e eritrócitos também é comprometida e sua fabricação diminuída. Assim, outros sinais e sintomas se referem à anemia (diminuição de eritrócitos) levando a cansaço, palidez das mucosas e pele, falta de ar e alterações cardíacas (aumento da frequência cardíaca e sopros cardíacos). A diminuição das plaquetas causa sangramentos espontâneos, pois essas células fazem parte do sistema de coagulação, assim é comum aparecerem sangramentos nas gengivas, olhos e manchas roxas pelas pele (hematomas).


“Outros sintomas que podem aparecer são inchaço nos gânglios linfáticos (linfonodos), as chamadas” ínguas”, a perda de peso sem motivo aparente e dores nos ossos e nas articulações”, afirma Dra. Gabriela.


“Além das queixas clínicas e exame físico, o médico irá solicitar exames detalhados e específicos. Hoje dispomos de inúmeros tipos de tratamento para as leucemias, além da quimioterapia”, conclui a médica do Hospital IGESP.


O transplante de medula óssea é uma das opções de tratamento da doença, entretanto, muitos pacientes morrem antes de localizarmos um doador compatível. A doação de medula é um procedimento relativamente simples pelo benefício que apresenta ao paciente, pois aumenta em muito as chances de cura da doença.



Doação de medula óssea


Para ser um doador voluntário de medula óssea é preciso ir ao hemocentro mais próximo, realizar um cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) e coletar uma amostra de sangue para exame de tipagem HLA. Além disso, é necessário:




  • Ter entre 18 e 35 anos de idade;

  • Um documento de identificação oficial com foto;

  • Estar em bom estado geral de saúde;

  • Não ter nenhuma doença impeditiva para cadastro e doação de medula óssea.


Vale lembrar que o REDOME pertence ao Ministério da Saúde e hoje tem mais de 5 milhões de doadores cadastrados, sendo considerado o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo.






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Atenção às doenças de verão: Cuidados com as crianças

Atenção às doenças de verão: Cuidados com as crianças

Especialista do Hospital IGESP orienta sobre medidas de prevenção contra infecções no ouvido, diarreias e insolação.


Época do ano marcada por chuvas e altas temperaturas, o verão é sinônimo de férias, viagens em família e descanso. Porém, para muitos, ele pode se tornar motivo de preocupação, já que os meses de calor registram o aumento de doenças como diarreia, otite e insolação, principalmente em crianças.


De acordo com a pediatra do Hospital IGESP, Patricia Terrivel, é importante que os pais estejam atentos aos cuidados básicos com a higiene dos pequenos, como o consumo de água potável, a ingestão de alimentos bem acondicionados e a lavagem das mãos após brincadeiras ou idas ao banheiro.


“No período do verão e de férias escolares, é inevitável que ocorram mais atividades ao ar livre, como praias e piscinas, o que pode facilitar a contaminação de crianças por diversas vias. É fundamental ter atenção à higiene e à conservação de alimentos para evitar viroses e diarreia nesses momentos”, explica a médica.


O contato com a água pode trazer outro problema aos pequenos: as otites, inflamações no ouvido causadas por fungos e bactérias, provocando infecção geralmente no ouvido externo. “Nesse caso, o ideal é procurar o médico e iniciar o tratamento adequado. Com otites, as crianças podem sofrer com dor no ouvido, secreções e zumbido”, afirma.


Em relação à exposição excessiva ao sol, a famosa insolação, o uso de protetor solar deve ser item obrigatório na rotina, assim como a hidratação. “A insolação causa queimaduras dolorosas, que incomodam bastante e podem fazer com que as crianças tenham febre, vômito e até diarreia. Como a pele deles é mais sensível se comparada com a dos adultos, recomendo não apenas o uso de protetor solar, mas também de acessórios de proteção, como chapéus e bonés, além da ingestão de água e outros líquidos durante o dia”, finaliza a pediatra do Hospital IGESP.







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10 mitos sobre o câncer

Conheça 10 mitos sobre o câncer

Quando se trata de câncer, muitos mitos são transmitidos por amigos e familiares bem-intencionados. Esses mitos, muitas vezes, acabam causando mais estresse para os pacientes do que eles já estavam enfrentando. Como entender seu diagnóstico é uma parte essencial do avanço com seu plano de tratamento. Aqui estão 10 mitos sobre o câncer, desmascarados.


1. Fazer biópsia faz o câncer se espalhar


A biópsia não faz o câncer se espalhar. Ela é realizada para coletar uma amostra de tecido suspeito para ser analisada em um laboratório, a fim de determinar se é canceroso ou não. É importante que sejam tomadas medidas prévias para minimizar o risco de disseminação, como o uso de técnicas cirúrgicas adequadas e evitar a remoção de muito tecido doado.


2. Comer açúcar faz o câncer crescer


Comer um biscoito ou um pedaço de bolo não agrava seu câncer. Comer açúcar sozinho não causa câncer, mas pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas, tais como diabetes e obesidade, que podem aumentar o risco de desenvolver alguns tipos de câncer. Ter câncer não significa que você precisa perder os pequenos prazeres de que gosta. Entretanto, é importante equilibrar a dieta, e não apenas evitar o consumo de açúcar, já que uma dieta equilibrada e saudável é importante para manter um bom estado de saúde e prevenir doenças crônicas.


3. Precisa de cirurgia se o tumor do câncer for sólido


A cirurgia é uma das formas de tratamento do câncer e é comumente utilizada para remover tumores sólidos. No entanto, a decisão de realizar a cirurgia depende de muitos fatores, incluindo o tipo de câncer, o tamanho e a localização do tumor, as condições gerais do paciente e se o câncer já se espalhou para outras áreas do corpo.


4. Quem é mais claro tem mais chance de ter câncer de pele


A incidência de câncer de pele é geralmente maior em pessoas com pele clara, têm cabelos loiros ou ruivos e olhos claros. Isso ocorre porque a pele clara tem menos melanina, um pigmento que ajuda a proteger a pele dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta (UV) do sol. Todavia, pessoas com pele escura também podem ter câncer de pele, e recomenda-se a proteção ao sol.


5. Um caroço na mama é sempre câncer de mama


Encontrar um nódulo na mama não significa que você tenha câncer de mama, mas deve ser examinado por um médico. Nunca deve ser ignorado!


6. A quimioterapia é dolorosa


Não! A quimioterapia pode causar alguns efeitos colaterais desconfortáveis, mas geralmente não é dolorosa. Os efeitos colaterais da quimioterapia podem incluem cansaço, náusea, vômito, perda de cabelo, alterações no paladar, dor de cabeça, dores musculares e dores nas articulações. No entanto, esses efeitos colaterais geralmente desaparecem após a quimioterapia e os médicos geralmente prescrevem medicamentos para aliviar esses sintomas.


7. Grávidas não podem fazer tratamento contra o câncer


Grávidas podem fazer tratamento contra o câncer, mas o plano de tratamento precisa ser adaptado com cuidado para evitar possíveis efeitos colaterais ao bebê. Poderá ser submetida à cirurgia, e a alguns tipos de quimioterapia durante a gestação sem afetar o bebê. O planejamento e acompanhamento das mulheres nesta situação é mais complexo e requer obstetra e oncologista monitorando mãe e bebê com frequência, pois terão que ser salvas 2 vidas.


8. O cabelo nunca mais crescerá após a quimioterapia


O cabelo geralmente começa a crescer de volta após o tratamento. A textura e cor do cabelo pode ser diferente do que era antes, mas geralmente volta ao normal com o tempo. Isso varia de pessoa a pessoa, alguns recuperam completamente e outros podem ter dificuldade no regresso do cabelo.


9. O câncer sempre vai voltar


Não. Em estágios precoces, ou seja, no início da doença, as chances de o câncer voltar são menos prováveis. O câncer pode retornar após o tratamento, conhecido como recidiva. Isso pode ocorrer porque algumas células tumorais podem ter sobrevivido ao tratamento inicial e se desenvolvido novamente. O risco de recidiva varia dependendo do tipo de câncer, do estágio em que foi detectado e tratado, e da eficácia do tratamento inicial. A maioria dos pacientes com câncer não tem recidiva, mas alguns pacientes podem desenvolver câncer novamente após um período.


10. Oncologistas não querem pacientes tentando tratamentos alternativos?


É importante que você exponha suas preocupações e perguntas ao seu oncologista e discuta com ele qual é a melhor abordagem para o seu tratamento. Se você estiver interessado em algum tipo de terapia alternativa, é importante discutir essa opção com seu médico antes de começar qualquer tratamento, a fim de avaliar se é seguro e adequado para você.


Muitos tratamentos complementares podem ajudar o paciente a suportar melhor a quimioterapia, como exercícios físicos adequados, dieta adequada e sono tranquilo.


No entanto, alguns tratamentos alternativos podem incluir ervas ou substâncias químicas que podem interferir no tratamento ou até intoxicar os órgãos dos pacientes.

















Por Dra. Tânia Moredo, coordenadora do serviço de Oncologia do Hospital IGESP.


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Covid-19: Diminuição das medidas preventivas e falta de vacinas

Covid-19: Diminuição das medidas preventivas e falta de vacinas

Enquanto norte-americanos e europeus já têm novos imunizantes à disposição, no Brasil não existe previsão para compra de vacinas.


O aumento de casos da Covid-19 voltou a deixar em alerta a população e os profissionais da saúde. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo já apresentam tendência de crescimento.


Entre as causas apontadas, estão a presença de subvariantes do covid-19, como a BQ.1, e a flexibilidade nas medidas de prevenção, como a volta das aglomerações, a falta do uso de máscaras e de higienização. É o que confirma o infectologista do Hospital IGESP, Marcos Antônio Cyrillo.


“Houve aumento no número de casos leves, moderados e graves (internados em UTIs), isso acontece porque diminuímos as medidas não farmacológicas, além do isolamento e realização de testes e isso quer dizer que precisamos ficar em alerta, por a tendência ser de crescimento semana a semana” explica o especialista.


Na última semana, o Observatório Covid-19 da Fiocruz voltou a orientar o uso de máscaras em locais fechados, com pouca ventilação ou aglomeração de pessoas. A ação de obrigatoriedade das máscaras já está sendo retomada em outros países, e para o médico, o Brasil deve em breve retomar medidas mais robustas em relação a isso.



Vacinas


Especialistas afirmam que a melhor medida de proteção contra o coronavírus é a vacina, sendo fundamental completar o esquema de imunização, incluindo a 2ª dose de reforço. O infectologista do Hospital IGESP ressalta que a preocupação é em relação ao fato de que as subvariantes da Ômicron respondem menos aos imunizantes disponibilizados no Brasil.


Cyrillo aponta dois caminhos a serem tomados no país: “a 5ª dose com a vacina disponível ou trazer os imunizantes chamados de bivalentes da Moderna, ou Pfizer, eficientes contra as novas variantes. Os norte-americanos e os europeus já estão tomando, e por aqui não temos previsão para aquisição de vacinas”, finaliza o infectologista.






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Como detectar, prevenir e tratar o câncer colorretal

Como detectar, prevenir e tratar o câncer colorretal

A campanha Março Azul-Marinho tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e dos cuidados com o câncer colorretal. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a doença atinge 40 mil pessoas por ano no Brasil. Entretanto, uma pesquisa feita em 2021, pela farmacêutica Bayer em parceria com a consultoria IQVIA, com 80 médicos oncologistas e 401 pessoas, evidencia que ainda há muita falta de conhecimento por parte da população sobre essa neoplasia.

Esse tipo de câncer atinge as células do intestino grosso e pode ser especificado também como câncer de cólon ou de reto. Essa doença atinge mulheres e homens na mesma proporção, sendo a segunda causa de neoplasia maligna em ambos os grupos no Brasil. Em crianças, é uma doença rara, sendo presente apenas em casos de síndromes hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar, por exemplo.

 

Sintomas


No início, a doença pode ser silenciosa e não apresentar sinais. Porém, há casos em que os seguintes sintomas são frequentes, persistentes e sem causa aparente: alteração do hábito intestinal, como diarreia, constipação ou estreitamento das fezes; sensação de nunca estar com o intestino vazio e sempre necessitando evacuar mais; sangramento nas fezes, com sangue vermelho brilhante; fezes muito escuras ou pretas; cólicas ou dor abdominal persistente; fraqueza e fadiga; perda de peso; e anemia.

 

Diagnóstico


O câncer colorretal costuma formar ulceração no intestino que sangra. Esse sangue pode ser detectado em um exame chamado pesquisa de sangue oculto nas fezes, que pode identificar sangramento no intestino e sugerir uma doença inflamatória ou uma neoplasia maligna. Entretanto, esse exame não é específico para diagnóstico de câncer de intestino, pois, mesmo durante uma disenteria, pode haver sangue nas fezes.

Para confirmar a doença, são feitos em conjunto o exame físico, a colonoscopia e a biópsia. Como parte do exame físico, o médico apalpa o abdômen em busca de massas ou órgãos aumentados e, se necessário, realiza o exame de toque retal. Já a colonoscopia é o exame do intestino grosso. É usado um instrumento chamado colonoscópio, que possui o formato de um tubo fino. Com luz, câmera, lentes e pinças, ele é capaz de visualizar a parte interna do intestino, permitindo realizar procedimentos como biópsia e cauterização de lesões.

Por fim, a biópsia é o exame definitivo para diagnóstico do câncer colorretal. Durante esse procedimento, o médico remove um pequeno pedaço do intestino com lesão suspeita e o envia para um laboratório de anatomia patológica, onde o patologista firma o diagnóstico de câncer ou o exclui.

 

Fatores de risco e prevenção


Existem fatores de risco modificáveis e não modificáveis. Os modificáveis são: tabagismo, obesidade e sobrepeso, inatividade física, dieta pobre em fibra e grãos e com muita gordura, carnes vermelhas e processadas (como salsicha e salame, por exemplo), além de ingestão de bebidas alcoólicas.

Os não modificáveis são: histórico familiar de câncer colorretal, alguma síndrome genética com predisposição a doença (como Síndrome de Lynch e polipose adenomatosa familiar), pólipos adenomatosos no intestino, idade acima dos 50 anos (e quanto mais velho, maior o risco) e doença inflamatória intestinal (como retocolite ulcerativa e Doença de Crohn).

Quase sempre o câncer colorretal se inicia com um pequeno pólipo no intestino. Por isso, como medida preventiva é importante realizar a consulta médica periódica.

 

Tratamento


O planejamento do tratamento depende de quão avançada está a doença. Após o diagnóstico, o médico pede exames complementares para saber o estadiamento da doença. Com isso, o especialista classifica de zero (0) a 4 (IV), sendo zero uma doença inicial e quatro quando está disseminada em outros órgãos.

Em casos de doença inicial, o tratamento pode ser feito pela remoção cirúrgica do segmento intestinal comprometido e, algumas vezes, com a própria colonoscopia, sem a necessidade de cirurgia. Nos demais estágios, sempre que possível, será realizada a cirurgia. A quimioterapia será indicada de acordo com critérios mais complexos: algumas vezes para prevenir a volta da doença, e em outros casos para tratar a doença disseminada. No câncer de reto, é frequente o uso da radioterapia, antes ou após a cirurgia, além da quimioterapia.














Por Dra. Tânia Moredo, coordenadora do serviço de Oncologia do Hospital IGESP.









O que é o câncer de colo do útero?

O que é o câncer de colo do útero?

O câncer de colo de útero, também chamado de câncer cervical uterino, assim como os outros tipos de cânceres, é uma doença caracterizada por apresentar células que se multiplicam e crescem de forma descontrolada, sem respeitar células vizinhas.


Localizado na região pélvica das mulheres, o útero é dividido em três partes: trompas uterinas, corpo do útero e colo do útero. Similarmente, sua aparência lembra uma pera, com a parte mais estreita, o colo do útero, para baixo. Essa região tem a importante função de criar uma barreira para infecções e proteger o bebê em mulheres grávidas. Pois mantém o corpo do útero fechado até o momento do nascimento da criança. Quando a mulher ovula, a trompa uterina é o meio pelo qual o óvulo alcança o corpo do útero, que é revestido internamente pelo endométrio, tecido responsável pelo sangramento menstrual das mulheres em período fértil, e quando não estão grávidas.


câncer de colo do útero


Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer- Brasil), em 2020 foram diagnosticados 16.710 casos de câncer de colo uterino, representando 7,5% de todos os cânceres em mulheres. O número de óbitos pela doença foi de 6.596 em 2019. Em 2020, 604.127 mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo uterino no mundo e, infelizmente, 341.831 mulheres morreram desta doença neste mesmo ano.


 

Quais são os fatores de risco do câncer de colo do útero?


É importante saber que um fator de risco não determina o câncer isoladamente, mas aumenta as chances de uma pessoa ficar doente.


HPV (Papilomavírus Humano)


Em suma, quase todos os cânceres do colo de útero são causados ​​pela infecção persistente do vírus HPV (Papilomavírus Humano). De fato, existem muitos subtipos de HPV. Felizmente a maioria não causa câncer. Eles infectam a pele e as mucosas (membrana umidificada que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior), causando verrugas.


Desse modo, quando um vírus causa câncer, é chamado oncogênico. Pelo menos 13 subtipos de HPV são considerados oncogênicos, todavia, 70% dos casos de câncer de colo uterino são causados pelos subtipos 16 e 18, transmitidos de uma pessoa para outra durante o sexo.


A infecção crônica por vírus oncogênicos leva a transformação maligna das células normais do colo uterino, dando origem ao câncer.


Além disso, o HPV é tão comum que a maioria das pessoas o contrai em algum momento de suas vidas. Geralmente sem causar sintomas, e na maioria das mulheres, o HPV desaparecerá por conta própria; no entanto, se isso não acontecer, há uma chance de que, com o tempo, possa causar câncer do colo do útero.


Relações sexuais


Inegavelmente, há vários fatores relacionados ao seu histórico sexual podem aumentar o risco de câncer do colo do útero. O risco é provavelmente afetado pelo aumento das chances de exposição ao HPV, como:


– Tornar-se sexualmente ativo em uma idade jovem, especialmente com menos de 18 anos;


– Ter muitos parceiros sexuais e;


– Ter um parceiro considerado de alto risco, que está infectado por HPV ou que tenha muitos parceiros sexuais.


Tabagismo


Certamente, o cigarro possui dezenas de substâncias que causam câncer, e, portanto, fumar também aumenta o risco de câncer de colo de útero.


Vírus da imunodeficiência humana (HIV)


O HIV, que causa a AIDS, diminui a imunidade do indivíduo e, consequentemente, aumenta o risco de alguns tipos de cânceres, como o do colo uterino.


Anticoncepcionais orais


A princípio, há evidências de que tomar anticoncepcionais orais por muito tempo aumenta o risco de câncer do colo do útero. Quanto mais anos utilizando anticoncepcionais orais, maior o risco. O risco diminui quando o uso é descontinuado, após alguns anos.


 

Existe vacina contra HPV?


Sim, atualmente existem duas vacinas contra HPV, aprovadas pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – que são comercializadas. A Quadrivalente, criada pela empresa Merck Sharp & Dohme, comercializada como Gardasil, protege contra HPV 6, 11,16 e 18, e a Bivalente, da empresa GlaxoSmithKline, comercializada como Cervarix, que confere proteção contra HPV 16 e 18.


Em 2014, o Ministério da Saúde iniciou a implementação da vacinação gratuita contra o HPV em meninas de 9 a 13 anos, com a vacina Gardasil. Essa faixa etária foi definida por ser a que mais apresenta grande produção de anticorpos e por ter sido menos exposta ao vírus por meio de relações sexuais.


Em meados de 2017, a vacinação foi ampliada para até 14 anos e iniciada para o público masculino, de 11 a 14 anos e de 9 a 26 anos vivendo com HIV/Aids, além de indivíduos submetidos a transplantes de órgãos sólidos/medula óssea e pacientes oncológicos. Em 2021 mulheres com o sistema imunológico enfraquecido, de 26 a 45 anos, foram incluídas no programa de vacinação.


 

Como prevenir o câncer de colo do útero?



  • Diminuir os fatores de risco, como a exposição ao HPV;

  • Vacinação contra HPV;

  • Realização de exames preventivos ginecológicos, incluindo o exame de Papanicolaou e Captura Híbrida de HPV de colo uterino e tratar as lesões pré-cancerosas do colo uterino.



Sintomas do câncer de colo do útero


Os principais sintomas que, normalmente, aparecem quando a doença está em estágio avançado são, corrimento vaginal, secreção de odor forte e cor intensa, com sangue e dor. Em casos ainda mais avançados, pode incluir dor pélvica, dor ao se relacionar sexualmente, urina ou fezes com sangue e dificuldade para evacuar ou urinar, e inchaço nas pernas.


Esses sintomas podem ser causados por outras doenças, é importante consultar o médico para esclarecê-los.


Detecção precoce


Em primeiro lugar, é importante diagnosticar a doença mesmo antes dela apresentar sintomas. Quanto mais precoce, maiores as chances de cura.


No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), recomenda iniciar o rastreamento da doença em mulheres a partir do início da atividade sexual ou na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram relação sexual. Para isso, é importante realizar consultas periódicas ao ginecologista para análise do histórico médico e a realização de exames.


O Papanicolaou (citologia oncótica do colo uterino) e o exame chamado de Captura Híbrida de HPV, que investiga a existência do vírus HPV, são os principais exames solicitados para o diagnóstico. Além deles, outros exames de imagem complementares podem ser solicitados, como o ultrassom pélvico, tomografia ou ressonância pélvica e a colposcopia.


Estadiamento da Doença


Assim que, confirmado o diagnóstico, o médico irá realizar exames complementares para avaliar a extensão da enfermidade, chamado de estadiamento da doença.


São pedidos exames de imagem como raio-X ou tomografia de tórax, ultrassom, tomografia ou ressonância magnética de abdômen e pelve. E exames mais complexos como a cistoscopia (exame da bexiga) e proctoscopia (examina o reto) que são realizados sob sedação.


O sistema de estadiamento mais comum usado é o da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), as notas vão de I a IV, sendo IV a doença espalhada e mais grave.


FIGO I: Doença localizada apenas no colo uterino. O câncer não se espalhou para os linfonodos próximos ou locais distantes.


FIGO II: O câncer cresceu além do colo do útero, mas não se espalhou para as paredes da pelve ou parte inferior da vagina, para os linfonodos próximos ou locais distantes.


FIGO III: O câncer se espalhou para linfonodos pélvicos próximos ou linfonodos para-aórticos, mas não se espalhou para locais distantes.


FIGO IV: O câncer se espalhou para órgãos distantes como bexiga, reto, pulmões, fígado, osso, entre outros.


 

Tratamento


Em resumo, o tratamento depende do estadiamento da doença.


Em outras palavras, se a doença estiver localizada e em estágio inicial, o profissional médico pode recomendar apenas a cirurgia, sem a necessidade da remoção completa do colo de útero.


Todavia, em tumores maiores, serão necessárias cirurgias mais complexas, como a retirada do útero, anexos e linfonodo.


Se o tumor não for ressecável com a cirurgia, ou seja, se não puder ser retirado por completo em um primeiro planejamento, serão realizados tratamentos antes da cirurgia, como a quimioterapia e radioterapia, para tornar o tumor ressecável. Muitas vezes, após a cirurgia, estes tratamentos podem ser mantidos durante um período.













Por Dra. Tânia Moredo, coordenadora do serviço de Oncologia do Hospital IGESP. 





COVID-19 e o impacto no diagnóstico e tratamento do câncer

Declarada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2020, a COVID-19, doença infecciosa causada pelo SARS-CoV-2 (acute respiratory syndrome coronavirus 2, em inglês), descrita pela primeira vez no final de 2019 na cidade chinesa de Wuhan, rapidamente se propagou pelo mundo, e vem representando uma ameaça à saúde global.

Em 2 de fevereiro de 2022, a OMS reportou a soma global de 380.321.615 casos confirmados de COVID-19 em todo o mundo, com 5.680.741 óbitos pela doença, desde o início da pandemia. Esses dados refletem o período entre 24 a 25 meses de doença.

Apesar da maioria dos infectados apresentarem sintomas leves, ou até mesmo serem assintomáticos, algumas pessoas desenvolvem quadros clínicos graves, necessitando de hospitalização e podendo evoluir a óbito. No caso dos pacientes com câncer, desde o início da pandemia, as autoridades internacionais da área da saúde os classificaram no grupo de risco para evolução clínica grave e potencial risco de vida.

Incidência mundial de câncer em 2022


De acordo com uma análise feita pela OMS sobre a incidência mundial de câncer em 2022, são esperados 19.292.789 casos novos de câncer no mundo, com 9.958.133 óbitos pela doença para esse mesmo período (Fig. 1 e 2). “Quando comparamos os dados, facilmente se reconhece que o câncer matou em dois anos cerca de 20 milhões de pessoas no mundo, enquanto a COVID, 5,68 milhões”, analisa Dra. Tânia de Fatima Moredo, oncologista do Hospital IGESP.

Interrupção de tratamento


No início da pandemia, a OMS relatou que um em cada três países da Região Europeia havia interrompido parcialmente ou completamente os serviços de atendimento a pacientes com câncer. No Reino Unido, o atraso no diagnóstico e tratamento oriundo do início da pandemia poderá resultar em aumento de mortalidade nos próximos cinco anos, o que representará 15% a mais de óbito para os cânceres de cólon e reto e 9% para o câncer de mama.
Nos Estados Unidos, a escassez de leitos e equipes médicas, reduziu a frequência de interação entre pacientes e oncologistas em 20%, o que adiou mais de 22 milhões de testes de rastreamento de tumores malignos em 2020.
Além disso, a Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO) descreveu o impacto da pandemia no desempenho de trabalho e estado de saúde dos trabalhadores globais de oncologia pela síndrome de burnout, distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema relacionada ao trabalho de um indivíduo.

As medidas de redução de atendimento em hospitais, para limitar o número de pacientes ambulatoriais e internados, postergaram o tratamento de pacientes com câncer estável, limitando o atendimento, apenas, para cirurgia de emergência.

O uso emergente de novas terapias em câncer, como a imunoterapia, e mesmo a quimioterapia tradicional, tiveram que ser adiadas para aqueles adoecidos pela COVID, mesmo em casos de pacientes com doença metastática. “Quimioterapias e cirurgias eletivas foram adiadas para reduzir o risco de infecção por COVID e para conter o esgotamento da rede hospitalar com o excesso de internações por COVID”, comenta.

A oncologista explica que essa interrupção do tratamento convencional poderá aumentar o risco de deterioração em pacientes com câncer e reduzir suas taxas de sobrevivência. “O atraso nas cirurgias eletivas por câncer aumentou consideravelmente os casos avançados e alavancou o número de cirurgias de emergência por câncer”, analisa.

Quarta onda de COVID


Atualmente, o mundo atravessa a quarta onda de COVID. Entretanto, com a disponibilidade de vacinas, a oncologia retomou o ritmo. “A avaliação científica contínua por autoridades médicas e regulatórias sustenta o uso seguro e eficaz das vacinas COVID-19 em pacientes oncológicos. No Brasil, o governo anunciou a aplicação de um novo reforço para pacientes imunossuprimidos – ou seja, uma quarta dose de vacina para esse público. O intervalo também será de quatro meses, contados a partir do primeiro reforço.

A especialista explica que são necessárias ações pragmáticas para lidar com os desafios de tratar os pacientes oncológicos, garantindo seus direitos, segurança, acesso a terapias e bem-estar geral. “Um indivíduo com câncer ou com suspeita de câncer, apenas, deve interromper exames e tratamentos durante o período de recuperação por COVID, ou na suspeita de COVID, até que se tenha certeza de que não está com o vírus. Vamos cuidar dessa doença que matou quase três vezes mais pessoas no mundo do que a COVID em dois anos”, finaliza.

Fig1. Estimativa de números de casos em 2020, todos os tipos de cânceres, ambos os sexos todas as idades.



Dados de incidência de câncer no mundo, para o ano de 2022, segundo a Organização Mundial da Saúde, de acordo com os Continentes.


Fig2. Estimativa de números de casos em 2020, todos os tipos de cânceres, ambos os sexos todas as idades.



Dados de mortalidade de câncer no mundo, para o ano de 2022, segundo a Organização Mundial da Saúde, de acordo com os Continentes.







Por Dra. Tânia Moredo, coordenadora do serviço de Oncologia do Hospital IGESP.
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